Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

"Eu e Tu" de Niccolò Ammaniti - Opinião

por Tânia Tanocas, em 06.09.17

Quarta leitura do #bookbingoleiturasaosol
Categoria: "Juvenil / YA"

38.jpg

Opinião:

Este livro baralhou por completo a escolha da categoria a preencher, inicialmente, estava destinado ao prémio literário, mas depois de o ler achei que se encaixava perfeitamente na categoria Juvenil / YA.

 

"Mimetismo batesianoverifica-se quando uma espécie animal inóquia usufrui da sua semelhança com uma espécie tóxica ou venenosa que vive no mesmo território, chegando mesmo a imitar a sua coloração. Deste modo, na mente dos predadores, a espécie imitadora é associada à espécie perigosa, aumentando assim, a sua possibilidade de sobrevivência."

 

O livro inicia 10 anos depois dos acontecimentos, retornando de seguida ao passado.
O nosso protagonista é Lourenzo, um jovem adolescente, vai relatando como é o seu dia a dia no liceu (particular) e em seguida a transferência para uma escola pública, o jovem tem e sempre teve problemas de relacionamento na escola, sente-se bem com o seu isolamento, mas isso acarreta consequências para a sua vida, um dia vê um documentário sobre os insectos miméticos e começa a comportar-se como eles.

 

É um garoto que é tão sufocado pela protecção maternal que um dia conta-lhe que uma amiga o convidou para uma semana de férias na montanha. A mãe fica de tal maneira extasiada que ele não tem coragem de dizer que se trata de uma mentira...

 

Lourenzo, vai assim ter uma semana em que se sente feliz, a fazer aquilo que ele gosta e acima de tudo, Lourenzo vai poder ser quem realmente ele é , mas alguém vai descobrir a sua mentira e estragar o seu paraíso. Esse alguém também deseja ajuda e compreensão, será que Lourenzo vai ser capaz de suportar uma intrusa e dar-lhe o devido auxílio necessário?

 

Gostei da premissa do livro, mas achei que lhe faltou bastante por contar e desenvolver, fiquei com a sensação de que estava a ler o guião de um capítulo de novela e que abruptamente terminou, deixando o espectador em suspenso...
Acima de tudo, acho que é uma leitura que se adequa aos leitores mais jovens, nem que seja para terem a noção de entreajuda e de como enfrentar alguns problemas sociais...

 

"Porque é que tinha de andar na escola? Porque é que o mundo funcionava assim? Nasces, vais à escola, trabalhas e morres. Quem tinha decidido que aquele era o modo certo de viver? Não se podia viver de maneira diferente?"

 

"Mas, quanto mais eu encenava esta farsa, mais diferente me sentia. O abismo que me separava dos outros tornava-se cada vez maior. Sozinho senti-me feliz, com os outros tinha de fingir.
Este facto, por vezes, afligia-me. Teria de os imitar para sempre?"

3-estrelas.jpg

Ammaniti_by-Simona-Caleo-UberAura.jpg

 

 

 

Niccolò Ammaniti nasceu em Roma, cidade onde vive, e é um dos mais conceituados autores italianos da actualidade. Os seus livros são enormes sucessos de vendas internacionais e estão publicados em quarenta e quatro países.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:12

Terceira leitura do #bookbingoleiturasaosol
Categoria: "Autor Lusófono"

37.jpg

 

Opinião:

Confesso, sou chorona por natureza, mas este pequeno livrinho deu cabo do meu stock de lágrimas, acho que nunca tive uma leitura tão chorosa quanto esta, em determinados momentos, queria ler e não conseguia, de tão turvados que estavam os meus olhos...

 

A primeira edição deste livro foi em 1968 (quase a completar meio século de vida), nessa altura (e até mesmo agora), ser criança nem sempre era (é) fácil, mas ser criança numa família numerosa e extremamente pobre pior ainda...

 

É isso que vamos aprender com o Zezé, um menino de cinco anos, o pai está desempregado, só a mãe trabalha num fábrica para sustentar a família, por vezes toma conta do irmão mais novo (Luís) tornando-se o seu protector para que este não sinta a mesma falta de carinho, traquinas como todos os meninos da sua idade, mas totalmente incompreendido, tornando-se o alvo perfeito das descargas emocionais dos mais velhos, sendo até considerado um diabo, termina (quase) sempre como se de um saco de pancada se tratasse, um dia conta o seu segredo, inexplicávelmente aprendeu a ler, em vez de ser apoiado, vai ser "despachado" para a escola e continuar a vaguear pelas ruas ao Deus dará.

 

Mas as traquinices estão sempre presentes na sua vida e é assim que as conversar secretas com o seu Pé de laranja Lima (Minguinho), a sua interminável imaginação, a ligação com o Ariovaldo, a adoração da sua professora Cecilia ou a improvável amizade com o Manuel Valadares (o português) vão alterar por completo a sua vida.

 

Zezé, procura constantemente compreensão, carinho e amor dentro da sua casa, mas infelizmente a sua procura só vai ser realizada fora de portas, por meros desconhecidos ao ponto de ele guardar para si o segredo dessas amizades para não correr o risco de elas se desfazerem. Mas nada dura para sempre e Zezé irá sofrer como ninguém imagina uma dor bem maior do que a falta de carinho recebido até aí...

 

Um excelente hino à amizade, à incompreensão, até mesmo à falta de disponibilidade por parte da família em acompanhar o crescimento e necessidades desta criança, quantas crianças por este mundo fora não se chamarão Zezés...

 

"Pensei na fábrica um momento. Não gostava dela. O seu apito triste de manhã tornava-se mais feio às cinco horas. A fábrica era um dragão que todo o dia comia gente e de noite vomitava o pessoal muito cansado."

 

"- Olha Minguinho, não precisa ficar desse jeito. Ele é o meu maior amigo. Mas você é o rei absoluto das árvores, como o Luís é o rei absoluto dos irmãos.
Você precisa saber que o coração da gente tem que ser muito grande e caber tudo que a gente gosta."

 

"- Mas tu também não disseste que me matavas?
- Disse no comêço. Depois matei você ao contrário.
Fiz você morrer nascendo no meu coração.
...
- Adeus?
Sério. Você vê, eu não presto para nada, estou cansado de sofrer pancada e puxões de orelha. Vou deixar de ser uma boca a mais..."

5-estrelas.jpg

jose-mauro-de-vasconcelos-l.jpg

 José Mauro de Vasconcelos, escritor brasileiro, descendente de portugueses, nascido em 1920, no Rio de Janeiro, e falecido em 1984. Depois de ter tido várias profissões, viajou pelo interior do país, região que inspirou quase toda a sua obra. Um dos seus romances mais famosos, O Meu Pé de Laranja Lima , tornou-se o exemplo vivo da presença do tema da infância na sua escrita.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:12

Segunda leitura do #bookbingoleiturasaosol

Categoria: "BD"

35.jpg

Opinião:

Conheci o Armandinho, quando um dia me deparei com esta tirinha, a partir dai fiquei fã...

armandinho1.jpg

 

Algures (acho que foi no Goodreads) li uma opinião que descrevia o Armandinho como uma mistura de Mafalda e Calvin & Hobbes, e é essa também a minha opinião.

 

alexandre_beck-tiras_do_armandinho_04.png 

Armandinho não gosta da escola, de comer, tomar banho e arrumações...

 

 

00a4877d.jpg

 Adora doces, comidas nada saudáveis, animais, natureza, ver TV e jogar videogame...

 

feecba9dd59e8f83c6dd861a330322a1.jpg

Não compreende algumas atitudes dos humanos, principalmente a falta de tempo dos pais para com ele...

 

Tem um raciocínio de criança, mas que deixa qualquer adulto sem palavras, principalmente a sua argumentação. Apesar das tiras serem facilmente encontradas na Internet, adquiri estes dois exemplares em papel, quando terminei o Armandinho zero, não me contive e devorei logo de seguida o Armandinho um.

 

Ainda não sei se irei completar o resto da colecção (Armandinho vai evoluindo e eu gosto da sua evolução, cada vez mais preocupado com o meio ambiente e questões sociais), mas de uma coisa tenho a certeza, o Armandinho já conquistou o meu coração e de lá não irá sair...

4-estrelas.jpg

Alexandre-Beck.jpg

 

Alexandre Beck passou pelas faculdades de agronomia (sempre foi um grande apreciador do meio ambiente, e dos animais), publicidade e jornalismo. Numa busca para se encontrar , que contrasta com a certeza absoluta da sua vida: a paixão por desenhar.
Em 2002 surgiu uma vaga num jornal para fazer tirinhas e então criou os seus personagens. Alguns eram baseados em amigos seus. Alexandre ocupava a metade de um dia a fazê-los. 

Em 2010, pediram-lhe três tirinhas para uma matéria sobre economia onde os pais conversavam com as crianças. Assim nasceu o Armandinho.

O nome do Armandinho foi escolhido num concurso. Segundo o vencedor, este nome deve-se ao facto do personagem sempre está armando algo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:12

Primeira leitura para o #bookbingoleiturasaosol

Categoria: "Esquecido na estante" 

34.jpg

Opinião:
Dos 629 livros que tenho para ler (só em papel ), decidi que o livro 125 já estava à muito esquecido na estante e decidi pegar neste pequeno grande miminho.

Desengane-se quem achar que este é um livro "fofinho" que fala de um velho que só lê romances de amor, esta pequena novela, é como um estalada à civilização que se intromete e destrói aquilo que deveria preservar e adorar.

"António José Bolívar ocupava-se de as manter à distância, enquanto os colonos devastavam a floresta construindo a obra prima do homem civilizado: o deserto."

Primeiro, achei que é bastante educativo em termos de preservação das nossas florestas (neste caso, uma das mais importantes, a Amazónia), a fauna e a flora são tão, ou mais importantes do que o progresso, as pessoas caçam o essencial para sobreviver, vivem na pacatez do seu dia a dia, a sabedoria é imensa, não compreendem os colonos que por outro lado também não compreendem o estilo de vida dos habitantes destes lugarejos, muitas das vezes, para seu belo prazer devastam o sossego destes sítios sem terem a consciência de que o fazem...

António José Bolívar é um velho, que conseguiu sobreviver na floresta graças ao conhecimento que adquiriu ao longo da sua vida com os índios, vive numa pequena aldeia (El Idilio), onde duas vezes por ano o dentista Rubicundo Loachamín surge para "remediar" os pacientes das suas mazelas bucais, exactamente como o funcionário dos correios, que raramente leva correspondência para os habitantes.
É por ocasião de uma dessas visitas que se desenrola a acção, o humor sarcástico do médico, dá logo a entender a antipatia que sente em relação ao poder político, a sua condescendência para com os pacientes também não é a mais saudável, mas é dos poucos que aparece para lhes auxiliar em alguma coisa...
O velho António José Bolívar e o médico começaram uma ligação que se revelou bem mais importante do que qualquer valor monetário deste mundo, nesse dia algo acontece, e as consequências vão levar o velho a desfolhar o livro do seu passado e dar-nos a conhecer o seu conhecimento da floresta e amor pelos romances (só de amor).

O autor dedica este livro (que foi prémio Tigre Juan) a Chico Mendes, um dos mais lídimos defensores da Amazónia, que "a muitos milhares de quilómetros e de ignomínia um bando de assassinos armados e pagos por outros criminosos mais importantes, daqueles que usam fatos de bom corte, unhas cuidadas e dizem actuar em nome do «progresso», liquidavam a vida de uma das figuras mais destacadas e consequentes do Movimento Ecologista Universal."

Certamente, um autor que desejo continuar a acompanhar, pois a sua escrita é bastante audaz, com uma mensagem muito elucidativa e educativa.
De salientar que este livro faz parte do plano nacional de leitura, apesar de ter alguns relatos mórbidos que podem chocar, acho que se enquadra totalmente no contexto da preservação e impulsionadora para amar os livros.

"Quando havia uma passagem que lhe agradava especialmente, repeti-a muitas vezes, todas as que achasse necessárias para descobrir como a linguagem humana também podia ser bela."

"O prémio também é teu, e de todos os que hão-de continuar o teu caminho, o nosso caminho colectivo em defesa deste único mundo que possuímos."

4-estrelas.jpg

luis-sepulveda.jpg

 

Luis Sepúlveda nasceu em Ovalle, no Chile, em 1949. Da sua vasta obra (toda ela traduzida em Portugal), destacam-se os romances O Velho que Lia Romances de Amor e História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar. Mas Mundo do Fim do Mundo, Patagónia Express, Encontros de Amor num País em Guerra, Diário de um Killer Sentimental ou A Sombra do que Fomos (Prémio Primavera de Romance em 2009), por exemplo, conquistaram também, em todo o mundo, a admiração de milhões de leitores. Em 2016, recebeu o Prémio Eduardo Lourenço.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:12

33.jpg

Opinião:

O que é ser peregrino? O que leva um ser humano a efectuar uma peregrinação?
Este é o mote do livro, as autoras não pretendem ser críticas do fenómeno, nem que este livro seja uma obra teológica, querem simplesmente relatar o que levam estes 13 testemunhos colocarem pés ao caminho e suportar a dor dos muitos quilómetros percorridos, dar a conhecer ao público esta "espécie de mar onde desaguam vários rios".

Quer sejam crentes, quer não, quem é que não conhece alguém que já não fez uma peregrinação? Eu conheço muitas pessoas, eu própria já fiz esse caminho várias vezes, felizmente a minha peregrinação é de apenas +- 25 quilómetros, se estes meus míseros quilómetros já me custam, não consigo imaginar o sofrimento daqueles que fazem centenas de quilómetros para chegar ao seu destino...

Quase todos eles, são relatos de promessas e agradecimentos, mas gostei particularmente do "Um católico desiludido", revi-me em muito nas suas palavras, "Sei que existe uma identidade superior chamada Deus ou Cristo, mas há alguns cânones da Igreja nos quais não me revejo... Não defendem os mais humildes e ostentam riqueza."
 
José Soares do Fundão, não vai à missa, não se confessa, eu também não, mas tenho um cantinho cá em casa reservado para a minha fé, não preciso de ir ao culto da igreja de onde vejo constantemente sair fiéis impuros, que comungam da mesma maneira com que apontam as suas palavras vis, sempre de dedo em riste para apontar os defeitos dos outros, sem colocar a mão na consciência e reflectir sobre os seus próprios pecados... Só preciso dos meus momentos de oração em silêncio, interiorizar as minhas graças e continuar a agradecer as bênçãos da minha vida.

Por isso é que o capítulo que mais detestei foi "2500€ para ir a pé", há-de haver sempre quem faça negócio com a incapacidade dos mais vulneráveis, mas, quem sou eu para condenar, as acções ficam para quem as pratica...

No geral, gostei muito desta leitura, relatos emocionantes, alguns até benevolentes, sem dúvida que é um livro curto, mas muito prazeroso...

3-estrelas.jpg

Ana Catarina André e Sara Capelo.jpg

 

Sara Capelo (esquerda) é jornalista, licenciada em Ciências da Comunicação e pós-graduada em Ciência Política e Relações Internacionais. Depois de ter passado pelo Público, entrou para a Sábado, em 2008, onde permanece. Os Estrangeiros que Mandaram em Portugal é o seu primeiro livro.

Ana Catarina André (direita) é jornalista. Nasceu em 1986 e cresceu em Sobral de Monte Agraço. É licenciada em Ciências da Comunicação e mestre em Ciência Política e Relações Internacionais pela Universidade Nova de Lisboa. Trabalha na revista Sábado desde 2008. Colaborou também com a Notícias Magazine e o Diário Económico. Em 2016, fez uma pós-graduação em Direitos Humanos na Universidade de Coimbra.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 05:39


Mais sobre mim

foto do autor



Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D

Opinião em Breve...


Estou a Ler...



Goodreads

2017 Reading Challenge
Tânia Tanocas Já leu 47 livros... A meta é de 50 livros...
hide




Mensagens