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Opinião:

O que é ser peregrino? O que leva um ser humano a efectuar uma peregrinação?
Este é o mote do livro, as autoras não pretendem ser críticas do fenómeno, nem que este livro seja uma obra teológica, querem simplesmente relatar o que levam estes 13 testemunhos colocarem pés ao caminho e suportar a dor dos muitos quilómetros percorridos, dar a conhecer ao público esta "espécie de mar onde desaguam vários rios".

Quer sejam crentes, quer não, quem é que não conhece alguém que já não fez uma peregrinação? Eu conheço muitas pessoas, eu própria já fiz esse caminho várias vezes, felizmente a minha peregrinação é de apenas +- 25 quilómetros, se estes meus míseros quilómetros já me custam, não consigo imaginar o sofrimento daqueles que fazem centenas de quilómetros para chegar ao seu destino...

Quase todos eles, são relatos de promessas e agradecimentos, mas gostei particularmente do "Um católico desiludido", revi-me em muito nas suas palavras, "Sei que existe uma identidade superior chamada Deus ou Cristo, mas há alguns cânones da Igreja nos quais não me revejo... Não defendem os mais humildes e ostentam riqueza."
 
José Soares do Fundão, não vai à missa, não se confessa, eu também não, mas tenho um cantinho cá em casa reservado para a minha fé, não preciso de ir ao culto da igreja de onde vejo constantemente sair fiéis impuros, que comungam da mesma maneira com que apontam as suas palavras vis, sempre de dedo em riste para apontar os defeitos dos outros, sem colocar a mão na consciência e reflectir sobre os seus próprios pecados... Só preciso dos meus momentos de oração em silêncio, interiorizar as minhas graças e continuar a agradecer as bênçãos da minha vida.

Por isso é que o capítulo que mais detestei foi "2500€ para ir a pé", há-de haver sempre quem faça negócio com a incapacidade dos mais vulneráveis, mas, quem sou eu para condenar, as acções ficam para quem as pratica...

No geral, gostei muito desta leitura, relatos emocionantes, alguns até benevolentes, sem dúvida que é um livro curto, mas muito prazeroso...

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Sara Capelo (esquerda) é jornalista, licenciada em Ciências da Comunicação e pós-graduada em Ciência Política e Relações Internacionais. Depois de ter passado pelo Público, entrou para a Sábado, em 2008, onde permanece. Os Estrangeiros que Mandaram em Portugal é o seu primeiro livro.

Ana Catarina André (direita) é jornalista. Nasceu em 1986 e cresceu em Sobral de Monte Agraço. É licenciada em Ciências da Comunicação e mestre em Ciência Política e Relações Internacionais pela Universidade Nova de Lisboa. Trabalha na revista Sábado desde 2008. Colaborou também com a Notícias Magazine e o Diário Económico. Em 2016, fez uma pós-graduação em Direitos Humanos na Universidade de Coimbra.

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publicado às 05:39

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Opinião:
Muito raramente leio um livro que no momento todos falam, mas não sei explicar este conseguiu fazer com que desejasse pegar logo nele e simplesmente o devorei...

O enredo é bastante complexo, assim como o tema em questão "até onde conseguiria ir para matar alguém"?!

O ser humano é cada vez mais complexo e imprevisível, as suas acções (em determinados momentos) deixam de ser racionais e tornam-se monstruosas, tentando construir os crimes perfeitos, mas será que existe o crime perfeito?
É o que vamos descobrir com os protagonistas desta estória, o que leva Lilly Kintner a vingar-se, o que passa na cabeça de Ted Severson para conspirar contra a sua mulher...
Lilly e Ted, duas personagens que se encontram por acaso (ou não) e logo estabelecem uma relação perigosa, será que o desejo de vingança se sobrepõe à razão? E terão eles êxito nos seus planos? Existe, ou não o crime perfeito?

Tenho muita vontade de vos falar mais deste livro, mas tenho a sensação de que por mais que dissesse não iria conseguir transmitir o valor dele... Só sei que o autor conseguiu fazer com que gostasse e sentisse empatia com assassinos (pelo menos neste caso).

O livro deixa-nos em constante sobressalto, tal não é a intensidade do mistério, tipo, escapas ou és apanhada, és apanhada ou escapas? E o final, completamente imprevisível e fora da nossa imaginação, todo o livro é perfeitamente eloquente e até bastante elucidativo para ninguém ceder aos próprios instintos e pensamentos sem pensar nas consequências...

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Peter Swanson é autor de três romances: The Girl with a Clock for a Heart, finalista do LA Times Book Award; Aqueles que Merecem Morrer, vencedor do New England Society Book Award e finalista do CWA Ian Fleming Steel Dagger; e Her Every Fear, o mais recente. 

Peter Swanson frequentou o Trinity College, a Universidade de Massachusetts, em Anherst, e o Emerson College. Vive em Massachusetts com a sua mulher e um gato.

Os seus livros estão traduzidos em 30 línguas.

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publicado às 18:38

Segunda leitura do projecto #adaptações

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Opinião:

Por incrível que pareça este filme fez parte do terror da minha adolescência, perdi a conta das vezes que o vi (ainda no auge das videocassetes), quem vir este filme agora, com toda a certeza vai chamar-me maluca, mas só eu sei quantas noites espreitei debaixo da cama antes de adormecer, quantas vezes ficava em pânico quando a televisão assumia aquele estado de formigueiro sem imagem, quantas vezes contei para avaliar a distância de uma tempestade.

 

Fiquei bastante contente em ler esta estória, apesar de a adaptação estar bem retratada, gostei de ler um, ou outro apontamento que não está no filme, por exemplo o envolvimento da médium Tangina, na estória surge de maneira diferente no livro, mas a essência da estória está lá toda, quer seja no livro, quer no filme, gostei muito das duas versões, apesar de já conhecer o enredo, não tirou o mérito à leitura, em determinado momento estava tão absorvida que me assustei com o toque do meu telemóvel... 

 

Sem dúvida que o Steve Spielberg se esmerou ao máximo na recriação desta adaptação (ou talvez ao contrário, não consegui perceber se este livro surgiu antes ou depois do filme), pois apesar de ter o filme muito presente, houve situações que sem dúvida eu imaginava tal como ele reproduziu, muito fiel mesmo...

 

Acho que a estória dispensa apresentações, uma família normal, que vive numa casa que esconde um segredo que vai ser revelado por meio de acções fantasmagóricas, até ao desaparecimento da pequena Carol Anne tudo parece inofensivo, depois tudo se desmorona... E quando se pensava que tudo tinha terminado, eis que surge uma nova reviravolta...  

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Trailer da adaptação (1982)

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publicado às 17:51

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Opinião:

Não é novidade que gosto deste género de leituras, o espanto é que foi a primeira vez que realmente um relato desta natureza mexeu comigo, por isso desde já quero alertar, que este livro não é mesmo para qualquer pessoa, o livro é curto, mas recheado de factos completamente desumanos e inconcebíveis, ao chegar à página 34 tive mesmo de fechar o livro e ir espairecer.

 

Dá-me a sensação de que Lygia ao escrever este livro tão curto, não quis estar constantemente a contar as mesmas atrocidades que sofreu, ela própria comenta que não queria ser repetitiva, até porque tem a sensação de que novamente ninguém acreditará nela, mas acho que as 144 páginas são mais do que suficientes para valorizar todo o sofrimento que esta mulher passou, principalmente a coragem que teve em falar e escrever.

 

Tenho uma enorme consideração por quem passou por qualquer tipo de violência, não imagino o que sentem estas pessoas quando os seus abusadores saem impunes, neste caso, não imagino o que Lydia sentiu quando os seus carrascos não tiveram a punição devida. 

 

Lydia Gouardo e os irmãos, sofreram nas mãos do (presumível) pai e madrasta, as piores maldades que possam passar por uma mente completamente maluca. 

Bruno de 7 ano, Nadia de 3 e Lydia de 4, têm o mesmo sobrenome que o pai, mas o primeiro contacto que tiveram com ele foi no momento em que foram retirados à força de uma família de acolhimento e levados para aquele que seria o seu futuro infernal.

 

As crianças desde logo vão saber qual o peso de serem maltratados, um maltratar doentio, completamente fora da nossa imaginação...
As crianças não vão à escola, não têm contacto com ninguém, submetidas frequentemente à fome, à sede, violência sexual, psicológica. O velho e a velha (como as crianças lhes chamam) são pessoas que sabem bem como afastar os olhares mais coscuvilheiros, até como intimidar as pessoas que tentem abordar a sua vida, chega inclusive a apelidar Lygia de maluca e deficiente para os médicos.

 

A parte que menos gostei, a determinada altura, Bruno foge e mais tarde resgata a irmã Nadia, deixando Lygia para trás, ambos já são maiores de idade, poderiam ter auxiliado a irmã, mas nenhum aparece... 
Percebo a influência do pai e até o pânico que sentiriam dele, mas não consigo imaginar deixar o meu irmão às mãos de um casal de monstros e levar a minha vida como se já estivesse tudo bem, talvez a vida de Lygia tivesse tido um rumo bem diferente se os irmãos tivessem-se unido contra tudo e contra todos.

 

Lygia tentou de tudo para se fazer ouvir e tentar parar aquele martírio, falou com polícias, morou ao pé de técnicas sociais, teve internada em hospitais, (pelo menos 8 vezes), teve vizinhos que ouviam os seus gritos, súplicas e choros, durante 28 anos Lydia tentou abrir os olhos de quem não queria ver, mas em troca só recebeu o silêncio dos outros.

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Lydia Gouardo nasceu em 1962. Durante vinte e oito anos de cativeiro, teve seis filhos do homem a quem chamava pai. Só com a morte deste alcança a liberdade.

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publicado às 17:04

Primeira leitura do desafio #adaptações

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Opinião:

Há medida que ia lendo esta estória, (mesmo que em quase nada se assemelhe) lembrei-me do filme "Torino" e da representação de Clint Eastwood, um homem amargurado que tem uma estima fervorosa ao seu carro do que às pessoas que o rodeiam.

 

Não foi fácil sentir empatia com o Ove, apesar de tentar compreender ao máximo os seus argumentos, a sua revolta, amargura e até algumas más maneiras fizeram com que repudiasse ao máximo esta personagem. Achei o enredo e a forma como foi contada a estória bastante verosímil, com uma mensagem bastante forte, em suma uma bonita lição de vida.

 

Ove, tem 59 anos e é confrontado com a "proposta" de uma reforma antecipada, a partir daqui tudo se desenrola de uma forma bastante revoltosa para ele. O que vai fazer com as horas do dia, lhe parecem segundos e teimam em passar lentamente, tudo é motivo para ele fazer uma reivindicação, não encara o modo de vida dos seus vizinhos de forma normal, é bastante autoritário e prima pela disciplina.

 

Tudo isto é o reflexo de uma vida vivida à custa de muitos trambolhões, enganos, incompreensões, cujo único amparo e benevolência é a sua esposa mas até isso deixa de existir cedo demais.

Apesar de tudo, Ove nunca deixa de ser presunçoso, antipático, sovina, mas vai conseguir sentir a força dos afectos, a importância da amizade, mas jamais renunciara às suas convicções.

 

Achei curioso ler este livro depois de ler o "Por Treze Razão", pois se num temos uma adolescente que não consegue lidar com as repercussões dos actos na sua vida, neste livro temos um homem amargurado porque também ele passou por bastantes provações, a única diferença é que a adolescente opta por terminar com a sua vida, e Ove cria uma espécie de capa para lidar com as suas vicissitudes, tornando-o num homem insociável.

Se Hannah Baker tivesse conseguido criar a sua capa protectora e seguido a sua vida, talvez quando fosse mais velha teria sido um Ove em versão feminina! De facto é impossível não pensar...

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Trailer da adaptação (2017):

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Fredrik Backman é um blogger, colunista e escritor sueco. Este seu romance de estreia tornou-se um bestseller imediato na Escandinávia e já vendeu mais de 5 milhões de exemplares em todo o mundo, encontrando-se traduzido em 43 línguas. 

Entre outros, venceu em 2017 o Vision’s Author of the Year Award. A adaptação cinematográfica pelo realizador Hannes Holm granjeou duas nomeações para os Óscares de 2017, incluindo a categoria de Melhor Filme Estrangeiro.

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publicado às 16:22


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