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"Chamava-se Sara" de Tatiana de Rosnay - Opinião

por Tânia Tanocas, em 16.01.17

Sinopse

4 (1).jpg

A minha opinião:

Estava desejosa de efectuar esta leitura, só ouvia e lia maravilhas acerca deste livro. E também tenho muita curiosidade em ver o filme baseado no livro (Elle s'appelait Sarah).

Gostei da premissa histórica (cujo o conteúdo não conhecia) como a própria autora refer no início esta estória é fictícia.

 

Preâmbulo da autora :
"As personagens neste romance são inteiramente fictícios. Mas alguns dos acontecimentos aqui descritos não o são, por exemplo aqueles que ocorreram na França ocupada durante o verão de 1942, em particular a grande rusga do Velódrome d'Hiver, a 16 de julho de 1942, no coração de Paris. Este não é um romance histórico nem tem pretensões a sê-lo. É a minha homenagem às crianças do Vél' d'Hiv. As crianças que nunca regressaram. E àquelas que sobreviveram para o contar."

 

Iniciamos a leitura em França, a 16 de julho de 1942, começam as primeiras rusgas aos judeus franceses, não pelos soldados nazis, mas pela mão e ordens da polícia francesa. As primeiras vítimas foram expulsas das suas casas e encarceradas num pavilhão, famoso por dar vida a corridas de bicicletas, o Vélodrome d'Hiver. (Vél' d'Hiv é o diminutivo, o pavilhão já não existe, foi demolido em 1959).
Só nessa primeira rusga, oito mil judeus foram privados da sua liberdade, mais de quatro mil eram crianças, que foram encurraladas no Vél' d'Hiv, com idades entre os dois e os doze anos. A maior parte eram francesas, nascidas em França. Destas primeiras pessoas retidas nenhuma regressou de Auschwitz... Estima-se que onze mil crianças francesas foram deportadas de França para campos de concentração...

 

Como a maioria das pessoas, os franceses não judeus acabaram por "beneficiar" (consciente ou inconscientemente) dessas rusgas, ficando com as suas casas e bens.

Julia Jarmond uma americana apaixonada por França, jornalista, está a restaurar o apartamento que pertencera à avó do marido e no decorrer de uma reportagem que tem de fazer acerca do Vél' d'Hiv, onde se depara com alguns factos desconhecidos, as coisas começam a ganhar contornos impossíveis de imaginar, nomeadamente a descoberta desenfreada por quem antes viveu no apartamento que agora é seu.
"Por vezes, Miss Jarmond, não é fácil voltar ao passado. Surgem surpresas desagradáveis. A verdade é mais dura do que a ignorância. "

 

Adorei a personagem Sara Starzynski, ir seguindo os passos da sua vida foram um dos pontos chaves e emocionantes da estória... Mas não conseguir ter empatia com Julia, não sei se foi intenção da autora criar uma personagem forte (Sara) e outra fraca (Julia) mas foi isso que senti, uma Julia submissa, perdida, fraca e que em momentos tinha "picos" de coragem e força mas logo perdia toda a sua auto-estima e assim, aos poucos, ia fazendo com que eu perdesse alguma credibilidade na sua personagem, a filha de 11 anos, acaba por vezes tendo alguns comentários e comportamentos mais adultos do que a própria mãe.

 

Em resumo, gostei muito desta leitura, conhecer mais um facto histórico acerca do Holocausto e II Guerra Mundial, facto esse que só em 16 de Julho de 1995, o presidente da República Jacques Chirac reconheceu a responsabilidade da França na rusga e no Holocausto...

4-estrelas.jpg

Vélodrome d’Hiver

 

"Há 74 anos teve lugar a rusga do Vélodrome d’Hiver (Velódromo de Inverno). A 16 de Julho de 1942, às 4 horas da manhã, 12.884 judeus foram detidos. Entre eles estavam 4.051 crianças 5.802 mulheres. A maioria foi enviada para o Vélodrome d’Hiver, situado no 15º bairro de Paris. Os outros foram levados directamente para o campo de concentração de Drancy. A polícia francesa do regime de Vichy teve um papel fundamental nas detenções.
page (1).jpgVélodrome d’Hiver converte-se numa prisão provisória. Durante 5 dias, 7.000 pessoas vão tentar sobreviver sem comida e com um único acesso à água. Os que tentaram fugir foram imediatamente abatidos. Uma centena de prisioneiros suicidar-se-á.
A rusga do Vélodrome d’Hiver representou mais de um quarto dos 42.000 judeus enviados para Auschwitz em 1942. Só 811 regressaram. Em 16 de Julho de 1995, o presidente da República Jacques Chirac reconheceu a responsabilidade da França na rusga e na Shoah." Texto retirado daqui...

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publicado às 18:25


3 comentários

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De HD a 16.01.2017 às 22:49

Muito interessante :)
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De Tânia Tanocas a 19.01.2017 às 00:09

Heterodomestico, se tiver oportunidade não hesite em dar uma vista de olhos... 😉
Obrigado pelo comentário... 😘
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De HD a 19.01.2017 às 18:46

De nada :)

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