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Décima primeira leitura do #bookbingoleiturasaosol

Categoria: "Clássico Português"

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Opinião:

Esta categoria deu-me "pano para mangas", isto é, não foi fácil encontrar uma leitura que me enchesse as medidas (compreenda-se cérebro), a prova disso é que iniciei a leitura de dois livros e só à terceira é que decidi apostar neste...

 

Acho que ainda não estou madura o suficiente para encarar os livros e mensagens dos nossos escritores mais antigos e importantes, mas não desisto, há-de haver uma altura em que irei ter o prazer de fazer estas leituras.
Mas fiquei a pensar, se eu com 36 anos, não me seduz, nem compreendo (ainda) este tipo de livros, como é que querem que os nossos jovens gostem de ler, quando são obrigados a realizar (obrigatoriamente) estas leituras na escola?!

 

Mas vamos ao que interessa, este é um livro de contos de uma autora que eu adoro e admiro, pessoalmente, desconhecia que tinha no seu repertório livros deste género, porque Florbela Espanca é reconhecida pelos seus registos poéticos.

 

O primeiro conto, conquistou a minha atenção logo nas primeiras frases, uma alentejana a descrever a zona dos clérigos no Porto, para quem pensava que só iria encontrar contos de aldeia e planícies alentejanas fiquei bastante surpreendida.

 

O que já não me surpreendeu foi a nostalgia, angústia e até alguma frustração, melancolia e incompreensão da sua escrita, já o notamos nos seus sonetos e nestes contos também os encontramos bem presentes.

 

Composto por 18 contos, subdivididos em duas partes, em "As Máscaras do Destino" uma série de contos totalmente dedicados ao irmão, Apeles Espanca, que morreu tragicamente num acidente de aviação a 6 de Junho de 1927, "O Dominó Preto" é como que um reinicio para invocar a morte do irmão, mas também encontramos apontamentos biográficos em relação à sua maneira de ver o amor, escritos em diversas idades e com determinados temas e contextos, é inegável que houve uns que gostei mais do que outros, mas no geral Florbela Espanca não desapontou e adorei conhecer a escrita da autora sem ser na vertente poética.

 

Não é minha intenção analisar ao pormenor os escritos da autora, se nem os entendidos na matéria conseguem definir bem quem era a Florbela, eu de certeza que não vou arriscar a fazê-lo... Gosto de pensar que simplesmente, foi uma mulher que nasceu e viveu na época errada.

 

"A hipocrisia humana é um abismo sem fundo..." (Mulher de Perdição)

 

"As almas das poetisas são todas feitas de luz, como as dos astros: não ofuscam, iluminam..." (À Margem de um Soneto)

 

"Tantos anos esperara por ele em vão! E havia de rejeitar aquela esmola da vida, ela que dá tão poucas?!" (Amor de Outrora)

 

Um dos meus sonetos favoritos da autora:

Eu
Eu sou a que no mundo anda perdida, 
Eu sou a que na vida não tem norte, 
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte 
Sou a crucificada... a dolorida... 

 

Sombra de névoa ténue e esvaecida, 
E que o destino amargo, triste e forte, 
Impele brutalmente para a morte! 
Alma de luto sempre incompreendida!... 

 

Sou aquela que passa e ninguém vê... 
Sou a que chamam triste sem o ser... 
Sou a que chora sem saber porquê... 

 

Sou talvez a visão que Alguém sonhou, 
Alguém que veio ao mundo pra me ver 
E que nunca na vida me encontrou! 

 

Florbela Espanca, do "Livro de Mágoas" 

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Florbela Espanca (Vila Viçosa , 8 de Dezembro de 1894 — Matosinhos, 8 de Dezembro de 1930)[1], baptizada como Flor Bela Lobo, e que opta por se auto-nomear Florbela d'Alma da Conceição Espanca , foi uma poetisa portuguesa. A sua vida, de apenas trinta e seis anos, foi plena, embora tumultuosa, inquieta e cheia de sofrimentos íntimos que a autora soube transformar em poesia da mais alta qualidade, carregada de erotização, feminilidade e panteísmo.

 

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publicado às 23:31


1 comentário

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De Jardim de Mil Histórias a 27.10.2017 às 10:02

Por vezes sinto exactamente o mesmo. Sinto que não tenho maturidade suficiente para certos livros ou autores.
Acontece com a poesia. E não por não ter maturidade. Mas ainda não estou lá para a apreciar como ela merece...não sei.
Mas a Florbela Espanca tem poemas fantásticos. Acredito que seja bom.
Beijinho e boas leituras

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