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"Noite" de Elie Wiesel - Opinião

por Tânia Tanocas, em 08.09.17

Quinta leitura do #bookbingoleiturasaosol

Categoria: "Género Favorito"

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Opinião:

Desde que li a sinopse deste livro, desejei instantaneamente compra-lo e ler, assim aconteceu, chegou o mês passado e foi (quase) devorado.
A parte mais difícil foi encaixar esta leitura numa das categorias do projecto #bookbingoleiturasaosol, a minha primeira ideia era completar a categoria do prémio literário, depois percebi que o prémio que Elie Wiesel tinha ganho era o Nobel da Paz, não sendo um prémio literário, tive de optar por outra categoria.
Não é novidade que "adoro" e tenho um certo "fascínio" e apreço por livros que abordem este tema, sendo assim achei bastante pertinente integrar esta leitura na categoria "Género Favorito".

 

"Nunca irei eu esquecer aquela noite, a primeira noite no campo, que transformou a minha vida numa longe noite sete vezes selada.

Nunca irei eu esquecer aquele fumo.
Nunca irei eu esquecer as pequenas faces das crianças cujos corpos eu vi serem transformados em fumo sob um céu silencioso.
Nunca irei eu esquecer aqueles chamas que consumiram a minha fé para sempre.
Nunca irei eu esquecer o silêncio nocturno que me privou toda a vida da vontade de viver.
Nunca irei eu esquecer esses momentos que assassinaram o meu Deus e a minha alma e transformaram os meus sonhos em cinzas.
Nunca irei eu esquecer essas coisas, mesmo sendo eu condenado a viver tanto tempo quanto o próprio Deus.
Nunca."

 

Não sei explicar, porque é que leio tantas histórias acerca deste tema, deveria ficar enfadada por ser mais do mesmo, mas para mim nunca é mais do mesmo, cada experiência é única, cada texto acrescenta sempre novos conteúdos, só o contexto é que é igual.

 

Noite é um livro com umas míseras 133 páginas, mas o suficiente para nos dar a conhecer o relato (bem escuro) da deportação do autor e da sua família, uma família judia que vive na Roménia, que não vai escapar ao destino de muitas outras famílias, primeiro são enclausurado num dos dois guetos de Sighet - Transilvânia ("Não eram os alemães nem os judeus que reinava no gueto - era a ilusão"), de seguida enviados para Birkenau - Auschwitz ("Aqui existia um campo de trabalho. Com boas condições. As famílias não seriam separadas. Somente os homens iriam trabalhar na fábricas. Os velhos e os doentes tratariam da terra. O barómetro da confiança deu um salto. Era a súbita libertação de todos os terrores das noites anteriores. Demos graças a Deus") e por fim vão efectuar a tão mortal caminhada da morte ("Um vento glacial soprava com violência. Mas nós marcháva-mos sem vacilar. Os SS obrigaram-nos a apressar o passo. «Mais depressa, canalha, cães sarnentos!» Porque não? O movimento aquecia-nos um pouco. O sangue corria mais facilmente nas veias. Tínhamos a sensação de voltarmos à vida...")

 

O que é que torna este pequeno livro num grande livro? Os momentos de reflexão que o autor faz acerca da religião, do bem e do mal que é tentar sobreviver num campo de concentração com os vários desafios que vão surgindo, o facto de ter de se preocupar não só consigo, mas com outros elementos da família, descrever as atrocidades que a sua visão assistiu.

 

Pode o ser humano ser tão "mesquinho" ao ponto de perder a benevolência para com os outros? Pode, mas é um acto que instintivamente jamais se apagará e marcará a mente e o espírito de quem passou por todo este caos, sofrimento e sobrevivência...

 

"Um dia em que estávamos parados, um operário tirou da sua sacola um bocado de pão e atirou-o para o vagão. Foi uma correria. Dezenas de homens esfomeados lutaram desesperadamente por causa de algumas migalhas. Os operários interessaram-se profundamente por este espectáculo.

Anos depois, assisti a um espectáculo semelhante em Adém. Os passageiros do nosso navio divertia-se a lançar moedas aos «nativos», que mergulhavam para as apanhar. Uma parisiense de porte aristocrático divertia-se muito com este jogo. De súbito, avistei duas crianças que se agrediam brutalmente, uma tentando estrangular a outra, e implorei à senhora:
- Peço-lhe que não atire mais moedas!
- Porque não? - perguntou ela. - Gosto de praticar a caridade..."

 

Para quem gosta do tema, este livro, certamente não vai desiludir.
"Este livro relata essas circunstâncias, e deixo aos leitores - que deveriam ser tão numerosos quanto os de" O Diário de Anne Frank" - descobrirem por si o milagre pelo qual aquela criança conseguiu escapar da morte." 

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Elias "Elie" Wiesel, (Sighetu Marmaţiei, 30 de Setembro de 1928 – Manhattan, 2 de Julho de 2016) foi um escritor judeu, sobrevivente dos campos de concentração nazistas, que recebeu o Nobel da Paz de 1986, pelo conjunto de sua obra de 57 livros, dedicada a resgatar a memória do holocausto e a defender outros grupos vítimas das perseguições. O pai de Elie era romeno e mãe proveniente da Hungria.

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publicado às 22:12


1 comentário

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De Jardim de Mil Histórias a 02.08.2017 às 11:30

Olá Tânia,
Que bom livro! Parece ser interessante. Vou deixá-lo para Janeiro. Acho que já tenho uma lista extensa para o Leituras do Holocausto :)
Beijinhos e boas leituras

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