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"Restos Humanos" de Elizabeth Haynes - Opinião

por Tânia Tanocas, em 28.12.17

7ª leitura do desafio "Christmas in the Books 2017"

Categoria 5) Lê um livro perfeito para um dia frio e chuvoso

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Opinião:

Autora de um dos melhores thrillers psicológicos que eu alguma vez já li (No Canto Mais Escuro), nunca mais foi editado mais nenhum dos seus livros em Portugal, entretanto já li (em BR) a "Vingança da Maré", mas não me encantou a 100%, mesmo assim resolvi insistir e decidi pegar neste com a esperança de que fosse o livro perfeito para um dia frio e chuvoso, confesso que não foi amor às primeiras páginas, as primeiras 80/90 páginas não me estavam a cativar, depois parece que surgiu um "clik" e logo a leitura fluiu de forma quase obsessiva. 

 

Achei a premissa bastante interessante e a estória que de início parecia não estar a fazer sentido logo se revelou bastante indispensável. Deste o início sabemos quem é o nosso psicopata (acho que este é o nome correcto para identificar o Colin), um homem com uma vida normal, mas com algumas patologias psicológicas bastantes macabras. 

Annabel, trabalha como analista de sistemas, funções meramente administrativas nas instalações de uma esquadra de polícia. 

A premissa é bastante audaz, vários corpos estão a ser encontrados já em estado de decomposição nas suas casas, não existem indícios de crime, mas a quantidade de corpos descobertos chama a atenção de Annabel, que descobre um padrão, padrão esse que ela bem conhece... 

 

Até onde sabemos quem são os nossos vizinhos, até que ponto os conhecemos, será até que sabemos se estão bem? A solidão é uma voz, que na maior parte das vezes não se ouve e neste mundo cada vez mais tecnológico essa voz vai sendo cada vez mais silenciada. 

Gostei do desenvolvimento do livro, vamos sabendo o que levou cada uma destas pessoas a definhar, acompanhamos o papel de Colin e consequentemente como Annabel vai passar pelo mesmo processo, sem que se dê conta de que está a um passo do abismo. 

 

Achei a escrita bastante pormenorizada, de tal forma que a maior parte das vezes nos deixa com aquela sensação de claustrofobia. 

Até que ponto um assassino pode ser considerado assassino, quando as mortes ocorrem por espontânea vontade dos seres humanos encontrados mortos? 

Será que estas mortes vão permanecer impunes e no esquecimento, tal como as suas vidas foram esquecidas? 

Muito bom, para onde está a caminhar a espécie humana, este livro coloca imensas questões para parar e reflectir... 

 

"Você conhece os seus vizinhos?

— Conheço, sim! Já faz alguns anos que moro na mesma casa, e somos bons amigos. Mas no último lugar em que morei, não era nada assim. Vivi lá durante cinco anos e não tinha a menor ideia de quem morava ao lado. E acho isso uma pena…

— Hum, sei. É mesmo, e não parece haver razão alguma para isso. Só precisamos ser cordiais e fazer um esforço para conhecer as pessoas. Não é preciso fazer amigos se não estiver a fim, mas nunca se sabe quando precisaremos uns dos outros, afinal de contas…

— E a população está envelhecendo, não é mesmo? Acho que daqui a alguns anos haverá muito mais idosos morando sozinhos, e ter vizinhos nos quais possam confiar é muito importante..."

 

"— Embora talvez ninguém desconfiasse de verdade, caso você fosse sumindo aos poucos — disse ela, alguns minutos depois.

— Sumindo de onde?

— Do Facebook. Quer dizer, se você tivesse a intenção de se afastar da sociedade, então, aos poucos, pararia de postar coisas no Facebook, não é? E, algum tempo depois, ninguém notaria sua ausência. Ou talvez notassem, e então poderiam enviar uma mensagem, um e-mail, mas se não recebessem resposta… bem, a maior parte dos nossos contactos não é realmente nosso amigo, não é? Amigos próximos, quero dizer. E aqueles que são, bem, e se você lhes dissesse que estava indo morar no exterior? Ou que seu computador quebrou, ou algo parecido? Quantos meses levaria até alguém se preocupar de verdade com por onde você anda?

— Eu não estou no Facebook — respondi."

 

"Você nunca se dá conta do que é a solidão até que ela começa a rastejar dentro de você, como uma doença; é algo que vai acontecendo progressivamente com você. E é claro que o álcool não ajuda: você bebe para esquecer como é uma merda viver assim e então, quando para de beber, tudo fica infernalmente pior. Então você continua bebendo para tentar apagar tudo."

 

"Ninguém olha nos seus olhos. E eu percebi que fazia anos e anos que ninguém havia mantido contacto visual comigo, e a última a fazer isso provavelmente foi Bev. Então, o que significava isso? O que podia significar? Se as pessoas pararem de olhar para você, você para de existir? Isso quer dizer que você não é mais uma pessoa? Isso quer dizer que você já está morto?"

 

"Aqueles que procuro são os que parecem estar vestindo as roupas com que foram dormir na noite anterior. Aqueles que saem à noite, por não conseguirem suportar as multidões. Não fazem compra durante o dia, pois acham que o som de crianças berrando pode perfurar seus tímpanos e lhes dar vontade de chorar também. Saem para as compras à noite, quando está calmo, escuro e ninguém os irá encarar, ninguém irá reparar neles, ninguém dirigirá um segundo olhar para eles. Percorrem o supermercado como se fossem invisíveis, porque é assim que se sentem. Em seus carrinhos haverá comida congelada, basicamente, pois só fazem compras uma vez por mês, se tanto. Levam uma lista na mão, por não quererem voltar, no caso de esquecerem de alguma coisa. Não estabelecerão contacto visual. Não falarão com ninguém."

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Esta foi a última opinião de 2017, a minha 64ª leitura, acho que posso afirmar que finalizei o ano em beleza... 

Para o ano há mais...  Beijokas... 

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Elizabeth Haynes é analista dos serviços secretos da polícia britânica. No Canto mais Escuro, que marca a sua brilhante estreia na ficção, foi traduzido em 27 línguas e editado em países como o Brasil, China, Japão, Alemanha ou Estados Unidos, e deixa antever uma promissora carreira literária. Haynes vive em Kent com o marido e o filho.

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publicado às 23:30

"Quero-te Morta" de Peter James - Opinião

por Tânia Tanocas, em 25.11.17

4ª leitura do desafio "Christmas in the Books 2017" 

Categoria 11)  Lê um livro que te foi oferecido

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Opinião:

Este livro foi-me oferecido o ano passado numa troca de Natal, era a sensação do momento, mas para mim o autor Peter James já não era uma novidade, já li e adorei "Despedida de Solteiro" e tenho mais dois livros para ler.
Por isso fiquei um pouco apreensiva quando cheguei até à página 193 e a leitura continuava um pouco aborrecida, já estava tão farta do ódio de Bryce, do fraco desenvolvimento das personagens e da acção, nem o facto de ser baseado em factos reais e do tema ser do meu agrado, contribuiu para o meu entusiasmo.
Até aqui não foi uma daquelas leituras ávidas que a todo o momento queria abrir o livro e ler mais umas páginas.

Depois, já em mais de metade do livro, as coisas começaram a ganhar algum andamento, mas mesmo assim fiquei um pouco desiludida com esta leitura.

 

Durante o livro vão surgindo peças aleatórias que aos poucos se vão encaixando, de salientar que este é o 10º livro da série "Roy Grace", mas que em nada afecta esta leitura. 

 

As peças principais são a Red e o seu ex namorado Bryce, mas também acompanhamos a vida privada e profissional do inspector Roy Grace, que é o anfitrião da série.

 

Red decide terminar a relação que tinha com o seu namorado, e é desafiada a colocar um anúncio num site de relacionamentos. Aparece um pretendente que se demonstra um autêntico príncipe, mas, existe sempre um mas...
Bryce não é bem aquilo que aparenta, mas Red está encantada, mesmo já sofrendo de alguma violência doméstica, só depois de ver as provas é que Red encara o Bryce como uma farsa e termina com o príncipe "desencantado".

 

Bryce tem uma vasta lista de nomes falsos, tal é a sua astúcia em se camuflar, com um passado sombrio e sem aceitar o final da relação, Bryce começa a perseguir Red, completamente paranóico, cego de desgosto e de ciúmes, a única finalidade da sua vida é destruir Red.

 

Será que este relato (baseado em factos reais) de "stalker" vai ter um final feliz, ou infeliz?

 

Não sei se tinha as minhas expectativas elevadas com esta leitura, mas em comparação com "No Canto Mais Escuro de Elizabeth Haynes, ou "Aqueles Que Merecem Morrer" de Peter Swanson, este livro ficou um pouco aquém do desejado.

Mesmo assim gostei do desfecho e de ler a percepção de um perseguidor e a perspectiva da vítima.

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Peter James estudou em Charterhouse, e depois na escola de cinema. Viveu nos Estados Unidos durante vários anos, onde trabalhou como argumentista e produtor de filmes, antes de regressar a Inglaterra. 
Os seus romances já foram traduzidos em 26 línguas. Todos os seus livros reflectem um profundo interesse pela medicina, a ciência e o paranormal.

Já venceu os Prémios de Melhor Escritor Policial do Ano de 2005 da Krimi-Blitz, na Alemanha, e Despedida de Solteiro venceu o Internacional Prix Polar 2006 e o Le Prix Coeur Noir 2007 em França. Peter James divide o seu tempo entre as suas casas em Notting Hill, Londres, e no Sussex.

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publicado às 14:00

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Opinião:

Quem viu o filme "A Lista de Schindler" vai de certeza reconhecer o personagem deste livro. O seu nome é Leib Lejzon, embora seja conhecido como Leon Leyson, um dos sobreviventes de Oskar Schindler.

 

O objectivo deste livro é de certa forma um agradecimento a Oskar, o autor tem esperança que ele se torne parte integrante da nossa memória, tal como ele foi parte integrante da dele.
Mas não só, Leon quer partilhar a história da sua vida e de como ela se cruzou com a de Schindler, por isso o livro inicia com a apresentação da sua família e como eram os tempos antes e durante a guerra, no geral todos os que puseram as suas vidas em perigo para salvar a sua merecem aqui um reconhecimento, aos olhos de Leon todos são heróis.

 

Foi a primeira vez que li o relato de alguém que (sobre)viveu num gueto, apesar de não ser um relato longo tem o essencial para perceber as condições desumanas a que eram sujeitos.

 

É incrível as voltas que deu a vida do autor, o que teve de passar até ao dia em que foi incluído na lista de Schindler, como tantos judeus sofreu para poder sobreviver e com uma escrita bastante acessível temos bem a noção de como foi o sofrimento destas vítimas, que Leon teve uma segunda oportunidade e que a aproveitou da melhor forma possível constituindo uma família.

 

Na minha opinião este livro é mais uma excelente opção do Plano Nacional de Leitura o livro é recomendado para o 3º ciclo, destinado a leitura autónoma, com descrições na medida certa em termos de sensibilidade, vai com toda a certeza fazer os nossos jovens (e adultos) terem a noção e compreenderem o que foi o Holocausto, contado por um sobrevivente que infelizmente já faleceu, mas que deixou este relato para jamais ninguém se esquecer.

 

"Aos olhos dos nazis, nós, judeus, éramos um único grupo odiado, o exato oposto do ideal louro e de olhos azuis dos «arianos» puros. Na realidade, esse alegado contraste não era de todo real. Muitos judeus tinham olhos azuis e cabelo loiro, e muitos alemães e austríaco, incluindo Adolfo Hitler, tinham olhos e cabelos escuros. Mas o dogna nazi metia os judeus todos no mesmo saco, como o odiado inimigo dos arianos. Para eles, ser judeus não tinha a ver com aquilo em que acreditávamos, mas com a nossa alegada raça.
Aquilo não fazia sentido para mim e cheguei a perguntar-me como podiam os próprios nazis acreditar em tais condições. Se se tivessem dado ao trabalho de olhar realmente para nós, teriam visto seres humanos tal e qual como eles: alguns com olhos azuis, alguns com castanhos. Teriam visto famílias tal e qual como as suas: filhos e filhas, mães e pais, médicos, advogados, professores, artesãos e alfaiates, indivíduos de todas as classes."

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Leon Leyson (1929-2013), de seu verdadeiro nome Leib Lezjon, nasceu a 15 de Setembro de 1929, em Narewka, uma cidade a nordeste de Varsóvia. Após a Segunda Guerra Mundial, passou três anos num campo de refugiados perto de Frankfurt, na Alemanha. Partiu para os Estados Unidos em 1949, onde se radicou. Alistou-se no Exército durante a Guerra da Coreia e mais tarde tornou-se professor de artes industriais no ensino secundário em Hunting Park, na Califórnia, profissão que exerceu durante 39 anos. Foi distinguido pela Universidade Chapman pelo seu trabalho de educador e na sua qualidade de testemunha do Holocausto. Faleceu no início de 2013, um dia depois de entregar o manuscrito final deste livro à editora.

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publicado às 22:30

Décima primeira leitura do #bookbingoleiturasaosol

Categoria: "Clássico Português"

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Opinião:

Esta categoria deu-me "pano para mangas", isto é, não foi fácil encontrar uma leitura que me enchesse as medidas (compreenda-se cérebro), a prova disso é que iniciei a leitura de dois livros e só à terceira é que decidi apostar neste...

 

Acho que ainda não estou madura o suficiente para encarar os livros e mensagens dos nossos escritores mais antigos e importantes, mas não desisto, há-de haver uma altura em que irei ter o prazer de fazer estas leituras.
Mas fiquei a pensar, se eu com 36 anos, não me seduz, nem compreendo (ainda) este tipo de livros, como é que querem que os nossos jovens gostem de ler, quando são obrigados a realizar (obrigatoriamente) estas leituras na escola?!

 

Mas vamos ao que interessa, este é um livro de contos de uma autora que eu adoro e admiro, pessoalmente, desconhecia que tinha no seu repertório livros deste género, porque Florbela Espanca é reconhecida pelos seus registos poéticos.

 

O primeiro conto, conquistou a minha atenção logo nas primeiras frases, uma alentejana a descrever a zona dos clérigos no Porto, para quem pensava que só iria encontrar contos de aldeia e planícies alentejanas fiquei bastante surpreendida.

 

O que já não me surpreendeu foi a nostalgia, angústia e até alguma frustração, melancolia e incompreensão da sua escrita, já o notamos nos seus sonetos e nestes contos também os encontramos bem presentes.

 

Composto por 18 contos, subdivididos em duas partes, em "As Máscaras do Destino" uma série de contos totalmente dedicados ao irmão, Apeles Espanca, que morreu tragicamente num acidente de aviação a 6 de Junho de 1927, "O Dominó Preto" é como que um reinicio para invocar a morte do irmão, mas também encontramos apontamentos biográficos em relação à sua maneira de ver o amor, escritos em diversas idades e com determinados temas e contextos, é inegável que houve uns que gostei mais do que outros, mas no geral Florbela Espanca não desapontou e adorei conhecer a escrita da autora sem ser na vertente poética.

 

Não é minha intenção analisar ao pormenor os escritos da autora, se nem os entendidos na matéria conseguem definir bem quem era a Florbela, eu de certeza que não vou arriscar a fazê-lo... Gosto de pensar que simplesmente, foi uma mulher que nasceu e viveu na época errada.

 

"A hipocrisia humana é um abismo sem fundo..." (Mulher de Perdição)

 

"As almas das poetisas são todas feitas de luz, como as dos astros: não ofuscam, iluminam..." (À Margem de um Soneto)

 

"Tantos anos esperara por ele em vão! E havia de rejeitar aquela esmola da vida, ela que dá tão poucas?!" (Amor de Outrora)

 

Um dos meus sonetos favoritos da autora:

Eu
Eu sou a que no mundo anda perdida, 
Eu sou a que na vida não tem norte, 
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte 
Sou a crucificada... a dolorida... 

 

Sombra de névoa ténue e esvaecida, 
E que o destino amargo, triste e forte, 
Impele brutalmente para a morte! 
Alma de luto sempre incompreendida!... 

 

Sou aquela que passa e ninguém vê... 
Sou a que chamam triste sem o ser... 
Sou a que chora sem saber porquê... 

 

Sou talvez a visão que Alguém sonhou, 
Alguém que veio ao mundo pra me ver 
E que nunca na vida me encontrou! 

 

Florbela Espanca, do "Livro de Mágoas" 

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Florbela Espanca (Vila Viçosa , 8 de Dezembro de 1894 — Matosinhos, 8 de Dezembro de 1930)[1], baptizada como Flor Bela Lobo, e que opta por se auto-nomear Florbela d'Alma da Conceição Espanca , foi uma poetisa portuguesa. A sua vida, de apenas trinta e seis anos, foi plena, embora tumultuosa, inquieta e cheia de sofrimentos íntimos que a autora soube transformar em poesia da mais alta qualidade, carregada de erotização, feminilidade e panteísmo.

 

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publicado às 23:31

"O Apelo do Anjo" de Guillaume Musso - Opinião

por Tânia Tanocas, em 25.10.17

Décima leitura do #bookbingoleiturasaosol

Categoria: "Autor Favorito"

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Opinião:

A divagar pela blogsfera, reparo que existem autores que simplesmente não são mencionados, não sei o porquê, talvez porque não agrade a temática dos seus livros, ou simplesmente porque não são tão divulgados, um pouco contra a corrente decidi realizar a leitura de um dos meus autores favoritos e tão pouco destacado.

 

Guillaume Musso é o autor de vários livros já traduzidos em Portugal, desses livros falta-me ler o livro editado antes deste (Rapariga de Papel) e decidi pegar neste porque referia que tinha uma componente mais thriller, género que não é de todo o estilo do autor.
Na minha opinião, o autor tem o dom de escrever livros que incluem algum misticismo, estórias fantasiosas, mas que de certa forma são bastante plausíveis.

 

Madeline é florista em Paris e Jonathan tem um restaurante em São Francisco, são estes os dois personagens principais, nada têm a ver um com o outro, a não ser um infeliz acaso de terem ficado com os telemóveis trocados no aeroporto de Nova Iorque e só se apercebem dessa troca quando já estão a uma distância de dez mil quilómetros.

 

Tudo parece bastante fácil de resolver, cada um deles disponibiliza as respectivas moradas e irão proceder ao envio dos telemóveis, mas tudo se altera quando ambos cedem à curiosidade de explorar o respectivo aparelho e têm acesso a segredos que ambos não querem que ninguém saiba...
Madeline e Jonathan já foram pessoas bem diferentes a viveram vidas completamente opostas da actual, poderá este casal se ajudar mutuamente a encontrar o verdadeiro sentido das suas vidas? Pode e é interessante ver o desenvolvimento desta entreajuda.

 

Neste livro, existem situações algo duvidosas, demasiadas coincidências, mas será que no dia a dia é sempre tudo certinho, não haverá momentos em que as voltas da vida são de tal maneira trocadas e as coincidências do destino vêm ao de cima?!
Mesmo assim nada destas coincidências retirou o prazer de voltar a reencontrar o autor Guillaume Musso.

 

Adorei o facto de o autor iniciar cada capítulo com uma citação de um determinado escritor, desde Stieg Larsson, Carlos Ruiz Zafon, Séneca, etc... Citações essas que encaixam perfeitamente com o decorrer da trama.
No geral foi interessante conhecer o autor na vertente policial, mas continuo a querer que o Guillaume não renuncie ao seu passado literário...

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Guillaume Musso nasceu em 1974 e descobriu a literatura aos dez anos, idade em que decidiu que um dia haveria de escrever livros. Inspirado pela cidade de Nova Iorque, onde viveu aos dezanove anos e travou conhecimento com viajantes de todo o mundo, regressou à sua França natal para estudar Ciências Económicas. É hoje um dos autores franceses preferidos pelo grande público.

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publicado às 22:27

"Os Níveis da Vida" de Julian Barnes - Opinião

por Tânia Tanocas, em 15.09.17

Sexta leitura do #bookbingoleiturasaosol

Categoria: "Prémio Literário"

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Opinião:

Este livro foi me oferecido num Natal... OK, não vou ser hipócrita se disser que era um autor ou livro que estava na minha whish, também não vou ser mentirosa se disser que adorei o livro do início ao fim, foi sim, uma leitura gradual que culminou numa boa surpresa, se fiquei fã? Sim, mas só na terceira parte do livro...

 

O livro divide-se em três momentos, os dois primeiros capítulos não me cativaram, confesso que não percebi bem o que o autor quis transmitir, nem consigo explicar, talvez porque não percebo nada de balonismo e a fotografia não seja o meu forte, a vontade de desistir do livro foi constante, prevaleceu a minha insistência em terminar já que o livro é bastante curto e ainda bem que insisti, pois a terceira parte é simplesmente divinal, para mim se o livro fosse composto só com a última parte era o suficiente para amar esta leitura.

 

O luto nunca é uma fase fácil de superar, o autor passa por essa condição quando perde um familiar, descreve (numa escrita poética) o que sente um enlutado e os esforços (muitas das vezes em vão) dos amigos e conhecidos para ajudar a dar a volta por cima.

 

Felizmente ainda não passei por nenhuma perda, que se diga devastador para a minha vida, mas ler "A Perda de Altitude" foi como se levasse um murro no estômago, pensei (e ainda me vem muitas vezes à memória) como será comigo quando isso acontecer, porque é inevitável, algum dia irei sofrer da mesma maneira que Julian sofreu, ouvir os incentivos de esperança daqueles que não estão (assim) tão devastados pela perda de alguém que é um dos pilares da nossa vida.

 

Por isso é que passado mais de um mês do fim desta leitura, ainda não consegui tirar o livro da mesa de cabeceira, talvez o deixe lá até que chegue a minha vez de fazer o luto e assim consumar a dor do autor com a minha...

 

Apesar de tudo é um livro recheado de citações (do início ao fim) que merecem ser destacadas, estas 109 páginas ficaram sarapintadas de post-its...

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"O Pecado da Altitude"

"A altitude «reduz todas as coisas às suas proporções relativas e à Verdade». Cuidados, remorsos, indignação tornam-se estranhos: «Com que facilidade desaparecem a indiferença, o desprezo, o esquecimento... e se instala o perdão.»

 

"Ao Nível"

"Juntamos duas pessoas que ainda não se tinham juntado; e às vezes o mundo transforma-se, outras vezes não. Podem despenhar-se e arde, ou arde e despenhar-se. Mas às vezes algo de novo acontece, e então o mundo transforma-se. Juntos naquela exaltação, naquela primeira e estrondosa sensação de alento, são maiores que os dois eus separados. Juntos, veem mais longe e veem mais distintamente."

 

"A Perda de Profundidade"

"Cedo na vida, o mundo divide-se entre os que praticaram sexo e os que não praticaram. Mais tarde, entre os que conheceram o amor e os que não conheceram. Mais tarde ainda - se tivermos sorte (ou, por outro lado, se não tivermos sorte) -, divide-se entre os que sofreram o luto e os que não sofreram. Estas divisões são absolutas; são trópicos que atravessamos." 

 

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Julian Barnes nasceu em Leicester em 1946. É autor de mais de uma dezena de livros. A sua obra está traduzida em trinta idiomas, e três dos seus romances foram finalistas do Booker Prize. Barnes foi o único escritor galardoado com o Prémio Medicis e o Prémio Femina. Foi ainda distinguido com o Prémio do Estado da Áustria para escritores estrangeiros e, mais recentemente, com o David Cohen Prize. O Sentido do Fim, recebeu o Man Booker Prize 2011. Julian Barnes foi casado com a agente literária Pat Kavanagh até à morte desta, em 2008, e vive em Londres.

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publicado às 22:58

Segunda leitura do #bookbingoleiturasaosol

Categoria: "BD"

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Opinião:

Conheci o Armandinho, quando um dia me deparei com esta tirinha, a partir dai fiquei fã...

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Algures (acho que foi no Goodreads) li uma opinião que descrevia o Armandinho como uma mistura de Mafalda e Calvin & Hobbes, e é essa também a minha opinião.

 

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Armandinho não gosta da escola, de comer, tomar banho e arrumações...

 

 

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 Adora doces, comidas nada saudáveis, animais, natureza, ver TV e jogar videogame...

 

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Não compreende algumas atitudes dos humanos, principalmente a falta de tempo dos pais para com ele...

 

Tem um raciocínio de criança, mas que deixa qualquer adulto sem palavras, principalmente a sua argumentação. Apesar das tiras serem facilmente encontradas na Internet, adquiri estes dois exemplares em papel, quando terminei o Armandinho zero, não me contive e devorei logo de seguida o Armandinho um.

 

Ainda não sei se irei completar o resto da colecção (Armandinho vai evoluindo e eu gosto da sua evolução, cada vez mais preocupado com o meio ambiente e questões sociais), mas de uma coisa tenho a certeza, o Armandinho já conquistou o meu coração e de lá não irá sair...

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Alexandre Beck passou pelas faculdades de agronomia (sempre foi um grande apreciador do meio ambiente, e dos animais), publicidade e jornalismo. Numa busca para se encontrar , que contrasta com a certeza absoluta da sua vida: a paixão por desenhar.
Em 2002 surgiu uma vaga num jornal para fazer tirinhas e então criou os seus personagens. Alguns eram baseados em amigos seus. Alexandre ocupava a metade de um dia a fazê-los. 

Em 2010, pediram-lhe três tirinhas para uma matéria sobre economia onde os pais conversavam com as crianças. Assim nasceu o Armandinho.

O nome do Armandinho foi escolhido num concurso. Segundo o vencedor, este nome deve-se ao facto do personagem sempre está armando algo.

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publicado às 22:12

Primeira leitura para o #bookbingoleiturasaosol

Categoria: "Esquecido na estante" 

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Opinião:
Dos 629 livros que tenho para ler (só em papel ), decidi que o livro 125 já estava à muito esquecido na estante e decidi pegar neste pequeno grande miminho.

Desengane-se quem achar que este é um livro "fofinho" que fala de um velho que só lê romances de amor, esta pequena novela, é como um estalada à civilização que se intromete e destrói aquilo que deveria preservar e adorar.

"António José Bolívar ocupava-se de as manter à distância, enquanto os colonos devastavam a floresta construindo a obra prima do homem civilizado: o deserto."

Primeiro, achei que é bastante educativo em termos de preservação das nossas florestas (neste caso, uma das mais importantes, a Amazónia), a fauna e a flora são tão, ou mais importantes do que o progresso, as pessoas caçam o essencial para sobreviver, vivem na pacatez do seu dia a dia, a sabedoria é imensa, não compreendem os colonos que por outro lado também não compreendem o estilo de vida dos habitantes destes lugarejos, muitas das vezes, para seu belo prazer devastam o sossego destes sítios sem terem a consciência de que o fazem...

António José Bolívar é um velho, que conseguiu sobreviver na floresta graças ao conhecimento que adquiriu ao longo da sua vida com os índios, vive numa pequena aldeia (El Idilio), onde duas vezes por ano o dentista Rubicundo Loachamín surge para "remediar" os pacientes das suas mazelas bucais, exactamente como o funcionário dos correios, que raramente leva correspondência para os habitantes.
É por ocasião de uma dessas visitas que se desenrola a acção, o humor sarcástico do médico, dá logo a entender a antipatia que sente em relação ao poder político, a sua condescendência para com os pacientes também não é a mais saudável, mas é dos poucos que aparece para lhes auxiliar em alguma coisa...
O velho António José Bolívar e o médico começaram uma ligação que se revelou bem mais importante do que qualquer valor monetário deste mundo, nesse dia algo acontece, e as consequências vão levar o velho a desfolhar o livro do seu passado e dar-nos a conhecer o seu conhecimento da floresta e amor pelos romances (só de amor).

O autor dedica este livro (que foi prémio Tigre Juan) a Chico Mendes, um dos mais lídimos defensores da Amazónia, que "a muitos milhares de quilómetros e de ignomínia um bando de assassinos armados e pagos por outros criminosos mais importantes, daqueles que usam fatos de bom corte, unhas cuidadas e dizem actuar em nome do «progresso», liquidavam a vida de uma das figuras mais destacadas e consequentes do Movimento Ecologista Universal."

Certamente, um autor que desejo continuar a acompanhar, pois a sua escrita é bastante audaz, com uma mensagem muito elucidativa e educativa.
De salientar que este livro faz parte do plano nacional de leitura, apesar de ter alguns relatos mórbidos que podem chocar, acho que se enquadra totalmente no contexto da preservação e impulsionadora para amar os livros.

"Quando havia uma passagem que lhe agradava especialmente, repeti-a muitas vezes, todas as que achasse necessárias para descobrir como a linguagem humana também podia ser bela."

"O prémio também é teu, e de todos os que hão-de continuar o teu caminho, o nosso caminho colectivo em defesa deste único mundo que possuímos."

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Luis Sepúlveda nasceu em Ovalle, no Chile, em 1949. Da sua vasta obra (toda ela traduzida em Portugal), destacam-se os romances O Velho que Lia Romances de Amor e História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar. Mas Mundo do Fim do Mundo, Patagónia Express, Encontros de Amor num País em Guerra, Diário de um Killer Sentimental ou A Sombra do que Fomos (Prémio Primavera de Romance em 2009), por exemplo, conquistaram também, em todo o mundo, a admiração de milhões de leitores. Em 2016, recebeu o Prémio Eduardo Lourenço.

 

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publicado às 22:12

Segunda leitura do projecto #adaptações

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Opinião:

Por incrível que pareça este filme fez parte do terror da minha adolescência, perdi a conta das vezes que o vi (ainda no auge das videocassetes), quem vir este filme agora, com toda a certeza vai chamar-me maluca, mas só eu sei quantas noites espreitei debaixo da cama antes de adormecer, quantas vezes ficava em pânico quando a televisão assumia aquele estado de formigueiro sem imagem, quantas vezes contei para avaliar a distância de uma tempestade.

 

Fiquei bastante contente em ler esta estória, apesar de a adaptação estar bem retratada, gostei de ler um, ou outro apontamento que não está no filme, por exemplo o envolvimento da médium Tangina, na estória surge de maneira diferente no livro, mas a essência da estória está lá toda, quer seja no livro, quer no filme, gostei muito das duas versões, apesar de já conhecer o enredo, não tirou o mérito à leitura, em determinado momento estava tão absorvida que me assustei com o toque do meu telemóvel... 

 

Sem dúvida que o Steve Spielberg se esmerou ao máximo na recriação desta adaptação (ou talvez ao contrário, não consegui perceber se este livro surgiu antes ou depois do filme), pois apesar de ter o filme muito presente, houve situações que sem dúvida eu imaginava tal como ele reproduziu, muito fiel mesmo...

 

Acho que a estória dispensa apresentações, uma família normal, que vive numa casa que esconde um segredo que vai ser revelado por meio de acções fantasmagóricas, até ao desaparecimento da pequena Carol Anne tudo parece inofensivo, depois tudo se desmorona... E quando se pensava que tudo tinha terminado, eis que surge uma nova reviravolta...  

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Trailer da adaptação (1982)

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publicado às 17:51

Segunda leitura do desafio #livrosnoecra

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Opinião:

Tenho a certeza de que não existe ninguém que não conheça a estória deste livrinho, começamos logo a conta-lo às nossas crianças, nas escolas ensinam o significado destas palavras, é presença quase essencial em qualquer biblioteca particular e acima de tudo, uma pequena fábula carregada de muitas conclusões e interpretações sobre as acções e comportamentos do ser humano.

 

A Bela e o Monstro foi originalmente escrito por Gabrielle-Suzanne Barbot, em 1740, esta primeira versão incluía mais de cem páginas envolvendo uma fera genuinamente selvagem, mas em 1756, Jeanne-Marie LePrince de Beaumont sintetizou e transformou a obra original.

 

O conto é bastante curtinho, contém o essencial, mas quem visualizar qualquer das várias adaptações cinematográficas vai denotar algumas diferenças e até a falta de vários indícios que não estão contados no livro.

A primeira situação é que só vamos descobrir como o monstro surgiu no final, depois em nenhum momento temos objectos falantes que animam a Bela, não sabia que Bela tinha mais cinco irmãos (duas irmãs e três irmãos) e não existe nenhuma rebelião de populares para atacar o monstro.

 

Tirando estas pequenas diferenças o livro lê-se com bastante afinco e as ilustrações de Aurélie de Sousa dão um toque especial a esta leitura, a comprovar que não são só as crianças que se deliciam com estas estórias, sem dúvida uma fábula para reler até saber a estória na ponta da língua. 

Ganância, humildade, simplicidade, perseverança, dedicação, amor e amizade, são os pontos fortes desde conto, que em tão poucas páginas nos transmite uma enorme lição.

 

“Corrigimo-nos do orgulho, da cólera, da gulodice e da preguiça; mas só um milagre regenera um coração mau e invejoso.”

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Jeanne-Marie LePrince de Beaumont.JPG

 

 

Jeanne-Marie Leprince de Beaumont (1711 – 1780), professora de Francês, jornalista e escritora. Foi a autora de inúmeros contos para crianças e jovens. É considerada uma das primeiras autoras deste género literário na Europa.

 

 

 

Trailer "A Bela e o Monstro" (1991)

Adaptado, cinematografado e encenado inúmeras vezes, o conto apresenta já diversas versões, a mais recente estreou este ano (2017), a mais antiga surgiu em 1946, mas a minha preferida continua a ser a adaptação de 1991.

De salientar que apesar de gostar desta fábula, os meus contos favoritos continuam a ser Branca de Neve e a Cinderela. 

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publicado às 22:04


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