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3ª leitura do desafio "Christmas in the Books 2017"

Categoria 6) Lê um livro que fale de uma viagem

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Opinião:

Quando está na moda travar a imigração por parte dos EUA (quer seja com a construção de mais um muro, quer seja com decretos racistas), porque não compreender melhor as razões e as dificuldades de quem faz uma viagem de alto risco para ter uma vida mais digna (ou talvez não!), assim surgiu o meu interesse em ler esta viagem.

 

Não é uma viagem de lazer, é sim uma corrida desenfreada contra o tempo e quem for mais perspicaz talvez ganhe o acesso a um mundo diferente, mas muitas das vezes não necessariamente um mundo melhor. Editado em 2006, mas que em 2017 me parece tão actual...

 

O relato deste livro abrangeu cinco anos. Durante esse tempo a jornalista norte-americana Sonia Nazario, passou seis meses nas Honduras, Guatemala, México e Carolina do Norte. A viagem efectuada entre 2000 e 2003 foi realizada por causa de uma coluna para o jornal Los Angeles Time. Em consequência dessas viagens e entrevistas a coluna deu origem a este livro.

 

Lourdes, abandonada pelo marido e com dois filhos para criar, mora nos arredores de Tegucigalpa, nas Honduras. Ela mal tem dinheiro para alimentar Enrique, com cinco anos e a irmã, Belky, com sete . Nunca pôde comprar-lhes nenhum presente nem nenhum bolo de aniversário. Com 24 anos, Lourdes lava a roupa dos outros num rio lamacento. Anda de porta em porta a vender tortilhas, roupa usada e banana-pão.
No dia 29 de Janeiro de 1989, Lourdes parte para os EUA, em busca de uma vida melhor, deixando para trás os seus "bens" mais precisos.

 

A partir daqui acompanharmos o desenvolvimento desta família, da perspectiva dos vários elementos, mas é em Enrique que se foca a autora e qual foi o  trajecto da sua vida até ao momento em que coloca na sua cabeça a insistência de ir ao encontro da mãe.
Na sua maioria, as crianças que empreendem esta viagem não a terminam. Acabam por voltar novamente para a América Central, vencidas.
O Enrique estava decidido a ficar novamente com a mãe. Será que conseguiu?

 

As migrantes latinas acabam por pagar caro a ida para os Estados Unidos. Perdem o amor dos filhos. Quando se reúnem, o ambiente acaba por ser conflituoso. É frequente os rapazes procurarem os bandos, numa tentativa de obterem o amor que julgavam poder ter da mãe. E é frequente as raparigas engravidarem e constituírem família. Sob muitos aspectos, estas separações são devastadoras para as famílias hispânicas.

 

Já para não falar dos perigos que consiste em fazer esta viagem, todos querem ganhar algum proveito, mas também há quem, com o pouco que tem, dê algum conforto a estes passageiros.
Não é uma viagem fácil de se ler, mérito da autora que conseguiu pôr o dedo na ferida e abrir as nossas consciências.

 

Para finalizar, uma das críticas que li ao livro, foi a forma como este está escrito, eu pessoalmente gostei, a autora é jornalista e como já expliquei, a ideia do livro surgiu no seguimento de reportagens realizadas para um jornal, por isso a maneira pormenorizada dos factos descritos realça ainda mais o impacto da vida destas pessoas. Além de seguir a viagem pessoal de Enrique, Sonia não quis deixar de relatar os vários perigos e ajudas que vão surgindo, dar-nos a conhecer o impacto das economias e políticas, deixando bem claro que os homens e mulheres da América Central vivem em condições completamente sub humanas sem outras alternativas, senão a migração, a maior parte ilegal...

 

"No fundo, os políticos trancaram a porta da frente, mas escancaram a das traseira."

 

"Desde que começou a construção do muro, tanto triplicou o número de agentes a patrulhar a fronteira como o dinheiro gasto na aplicação da lei. O número de imigrantes ilegais no Estados Unidos aumentou mais rapidamente desde que começou a construção do muro. "

 

"Os imigrantes, sobretudo os mexicanos, tinham por hábito regressar após uma breve temporada de trabalho nos Estados Unidos. Agora, a maior dificuldade na travessia e o aumento dos custos implicam estadias mais prolongadas."

 

A parte que mais me emocionou foi o relato "Ofertas e Fé", nos estados de Oaxaca e Veracruz os habitantes (também eles, a viverem com bastantes dificuldades) têm por hábito oferecer comida e bebida aos passageiros do "comboio da morte". Já tinha visto um documentário acerca deste acto de benevolência, chamava-se "Llévate mis amores", deixo o trailer do documentário para vos elucidar sobre este acto que faz uma enorme diferença a quem não come, nem bebe nada durante dias.

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Sonia Nazario (nasceu a 8 de Setembro de 1960 em Madison, Wisconsin ) é uma jornalista americana conhecida principalmente pelo seu trabalho em Los Angeles Times. Escreveu sobre questões sociais por mais de duas décadas.

Ganhou o Prémio Pulitzer de 2003 com este livro. 

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publicado às 20:00

"A Menina Mais Triste do Mundo" de Cathy Glass

por Tânia Tanocas, em 16.11.17

2ª leitura do desafio "Christmas in the Books 2017" 

Categoria 7)  Lê um livro em que as crianças sejam o ponto principal da história

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Opinião:

Já tinha referenciado aqui o quanto admiro o trabalho destas famílias de acolhimento em particular a Cathy que transpõe para o papel a sua vivência pessoal e profissional, não deve de ser fácil ver a rotina familiar ser "importunada" com a vinda destas crianças, carentes de tudo e mais alguma coisa e até da falta de disciplina.

 

Cathy recebe inesperadamente a proposta de acolher Donna de 10 anos que já se encontrava numa outra família de acolhimento com dois irmãos mais novos, os filhos de Cathy na altura estavam com 6 ano (Paula) e 10 anos (Adrian), concordando em acolher a menina, só aos poucos se vai apercebendo do desafio que tem entre mão, mas o primeiro contacto é arrebatador, Donna é uma criança demasiado alta para a sua idade e bem constituída. E era sem dúvida a criança de aspecto mais triste que Cathy alguma vez vira, de acolhimento ou não.

 

Já li alguns livros desta temática, escritos por pessoa que acolhem crianças em risco, mas este tocou-me bastante, a maneira como esta criança é negligenciada por parte da família chega a ser doentio, a determinada altura a autora diz que tem pena da mãe da Donna, eu só pensava em apertar-lhe o pescoço...
Esta é uma história muito mais psicológica do que física, concluindo que a violência psicológica pode fazer tanto ou mais mal do que a física, apesar de ambas serem condenáveis.

 

O facto dos dois filhos de Cathy serem também eles ainda crianças e agirem nas situações mais difíceis como crianças, origina-se aqui uma enorme lição para os adultos, estas crianças vão à sua maneira ensinar a perdoar, amar e apoiar uma outra criança que é constantemente sobressaltada pelos seu medos, anseios e a única coisa que ela quer é ser amada.

 

Adorei o epílogo e mais não posso dizer...

 

Uma história de vida muito emocionante, que ao mesmo tempo arrepia, também nos vai transmitindo uma onda de esperança. Para quem gosta de histórias do género vai adorar. Decididamente um livro em que as crianças são o ponto principal.

 

"Obrigado, obrigado por me darem um aniversário. Nunca tinha tido um aniversário."

 

"Quero que vocês todos gostem de mim. Por favor, não deixem de gostar de mim, Cathy. Eu preciso que gostem de mim."

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Cathy Glass é o pseudónimo literário de uma mãe de acolhimento de nacionalidade britânica. A sua experiência de cerca de 25 anos, durante os quais trabalhou com uma centena de crianças em situações problemáticas, é a sua fonte de inspiração para escrever livros comoventes que invariavelmente conquistam o público.

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publicado às 14:30

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Opinião:

Arnaldur Indridason, já não é uma estreia para mim, li "A Voz", mas não fiquei muito gulosa, achei fraquinho no meio de tanto potencial, mas desejava dar ao autor uma segunda oportunidade e apesar do autor ter outro livro "O Mistério do Lago", este foi o escolhido para a derradeira segunda oportunidade.

 

Confesso que depois de várias leituras medianas, estava sedenta de uma leitura que me preenchesse e sem estar nada à espera eis que surge esta misteriosa estória que nos agarra quase sem darmos conta.

 

Mais uma vez o inspector Elendur é o nosso protagonista, depois de ter sido encontrado um osso humano vamos ter várias linhas de investigação, até porque o crime terá sido realizado à vários anos, tornando quase impossível de desvendar.

 

Em simultâneo com a investigação, Elendur vai travar uma dura prova na sua vida particular, a filha Eva vai lutar pela vida. Enquanto a investigação se revela um caso de violência doméstica e corrupção, Elendur vai também recapitulando a sua vida, até ao ponto de ruptura a que ela chegou.

 

Gostei muito deste livro, não só em relação ao tema, mas a maneira como ele é desenvolvido, houve momentos que pensamos que a conclusão está para breve, mas o autor consegue colocar o suspense até às últimas páginas. 

 

Não tenho mais livros do autor, mas fiquei bastante entusiasmada em ler mais. Não sei se os outros livros será uma continuação da relação familiar do protagonista, mas gostava muito de saber como é a continuação da sua vida pessoal.

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Arnaldur Indridason (Reiquejavique, 1961) é historiador, jornalista e crítico literário e de cinema. Durante vinte anos trabalhou para o Morgunbladid, o mais importante diário da Islândia, antes de se dedicar à escrita a tempo inteiro. Com traduções disponíveis em mais de quarenta línguas, os seus romances rapidamente se tornaram bestsellers. A sua vasta obra tem recebido inúmeros prémios, entre os quais se destacam o The Glass Key (2002 e 2003), atribuído pela Associação Escandinava do Romance Policial, e o CWA Gold Dagger.

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publicado às 17:30

"O Jardim dos Segredos" de Kate Morton - Opinião

por Tânia Tanocas, em 30.10.17

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Opinião:

Tinha três livros na estante desta autora (O Segredo da Casa de Riverton, As Horas Distantes e O Jardim dos Segredos) nunca tinha lido nada da Kate e volta e meia ouvia boas opiniões acerca dos seus livros, li algumas opiniões e este foi o livro (que estava à minha disposição) que reuniu mais interesse.

 

Tenho de dar a mão à palmatória, de facto a autora consegue não só criar uma estória interessante, como prende a nossa atenção até não haver mais páginas para ler.
Gosto bastante dos enredos que nos transportam do presente ao passado e vice versa,  quando incluem estórias (segredos) de famílias é a cereja em cima do bolo.

 

Só tive pena que a verdade tivesse sido descoberta já tarde para alguns personagens. Houve também em determinados momentos que achei que a autora não desenvolvia, ou talvez fosse a minha ânsia de saber como tudo terminava.

 

Confesso que no fim pensei, se este era dos melhores livros da autora, como é que vou encarar os outros? Tenho de me lembrar (quando os ler) de não levar as espectativas muito elevadas.

 

Sem sombra de dúvidas uma autora que me surpreendeu, que me entusiasmou ao ponto de abrir o livro a cada instante livre, confesso que inicialmente as suas...., páginas me intimidaram, mas depois já só queria mais uma poucas para não me deparar com a palavra "fim"...

 

"Tens de aprender a destrinçar entre histórias e a realidade... Os contos de fadas costumam terminar demasiado cedo. Nunca mostram o que se passa depois, quando o príncipe e a princesa cavalgam para fora da página."

 

"...ninguém gosta verdadeiramente de manter segredos. A única coisa que torna um segredo divertido é saber que não se devia ter contado."

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Kate Morton cresceu nas montanhas do Sudoeste de Queenland, na Austrália. Licenciou-se em Teatro e, mais recentemente, em Literatura Inglesa. Kate vive com o marido e os dois filhos em Brisbane, num palacete do século XIX repleto de mistérios. Os seus livros estão publicados em 31 países.

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publicado às 21:35

"Mr. Clarinet" de Nick Stone - Opinião

por Tânia Tanocas, em 20.09.17

Oitava leitura do desafio #bookbingoleiturasaosol
Categoria: "Passado num continente diferente"

Leitura também inserida no desafio #septemberthrills

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Opinião:

Este é um dos livros, que quem ler a sinopse jamais vai imaginar o conteúdo avassalador que o espera.
Aconteceu comigo, pensei que seria uma investigação de rapto, que com toda a certeza teria alguma peripécias e perigos pelo meio, mas o que fui lendo revelou-se uma ficção inserida na dura realidade da vida dos haitianos.

 

Haiti, um país inserido na América Central, referente ao continente americano, um país que estamos habituados a ver como paradisíaco, com paisagens únicas, mas a realidade diária deste povo é bem diferente e por incrível que pareça este livro aborda de forma exemplar a sua (sobre)vivência desumana, a economia deste povo é a mais pobre do continente americano.

 

Conhecemos Max Mingus que vai ser aliciado a partir para o Haiti em busca de um menino, alegadamente, raptado, apesar do falhanço e destino dos seus antecessores, Max aceita a missão, mas vai enveredar por caminhos altamente minados. Na cultura do povo haitiano ainda persiste o culto da magia negra, o chamado vudu, rituais, os feiticeiros "ajudam" aqueles que não encontram mais nenhuma esperança do que submeter-se a este tipo de lavagens cerebrais. Inclusive, Mr. Clarinet retrata uma peculiar superstição, acerca de um mostro que hipnotiza crianças quando toca clarinete, acabando por as raptar.

 

Para ser bem sucedido Max, vai ter de lidar com o fanatismo deste culto e o que descobre vai deixar qualquer um de boca aberta, com consequências nunca antes imaginadas.
Cheguei ao fim deste livro com o terrível pensamento: até que ponto a realidade mistura-se com a ficção, ou vice versa?! Tive de fazer algumas pesquisas extras, pois alguns factos abordados eram demasiados fantasiosos (a meu ver) para serem verosímeis, mas infelizmente correspondem à realidade.

 

Também ficamos com uma noção de como é que aquele país foi liderado pelos vários governantes e acima de tudo como é que chegou ao ponto de ruptura, quer seja política e social. Compreende-se perfeitamente o porquê de haver tantas pessoas a querer uma oportunidade noutro local, que não a sua terra natal.

 

O autor escreve de uma forma, em que a descrição da miséria é tão realista que por momentos, senti o cheiro da podridão, mas acima de tudo a indignidade que se apoderou de mim foi o suficiente para (diversas vezes) ter uma bola na garganta e pousar o livro. Esta leitura tem uma das cenas mais fortes que eu alguma vez li, uma descrição de uma tortura extremamente diabólica.

 

Apesar de tudo, foi um livro que conseguiu deixar-me constantemente empolgada na sua estória, querendo chegar ao fim o mais rápido possível.
Chocou-me o seu conteúdo, conhecer o Haiti desta forma deixou-me triste, bastante triste...

 

Nick Stone, deixou em aberto o rumo de Max Mingus, rumo esse que eu adorava acompanhar, mas infelizmente não existe mais nenhum livro do autor em Portugal, de salientar que este livro faz parte da já extinta editora "Difel", colecção Nocturnos, uma colecção que eu adoro.
Tenho pena de só agora ter conhecido o Max, principalmente, das várias vezes que hesitei ao pegar nele, mas acho que ainda fui bem a tempo...

 

"A tradição oral consegue manter coisas vivas com mais facilidade do que os livros. O papel arde."

 

"As mulheres fazem o trabalho todo neste país excepto mandar. Se mandassem, o Haiti não estaria na merda em que está."

 

"Os mentirosos tropeçavam em inconsciência e impossibilidades, por vezes nos pormenores mais insignificantes, nas pontas soltas que, quando puxadas, destruíam toda a tapeçaria."  

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Nick Stone nasceu em Cambridge a 31 de Outubro de 1966, filho de pai escocês e mãe haitiana, fez formação na Universidade de Cambridge.

Mr. Clarinet foi o seu primeiro livro no mundo da escrita, acabou por ser o vencedor do Ian Fleming Steel Dagger, para o melhor thriller de 2006.

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publicado às 22:20


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