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Terceira leitura do #bookbingoleiturasaosol
Categoria: "Autor Lusófono"

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Opinião:

Confesso, sou chorona por natureza, mas este pequeno livrinho deu cabo do meu stock de lágrimas, acho que nunca tive uma leitura tão chorosa quanto esta, em determinados momentos, queria ler e não conseguia, de tão turvados que estavam os meus olhos...

 

A primeira edição deste livro foi em 1968 (quase a completar meio século de vida), nessa altura (e até mesmo agora), ser criança nem sempre era (é) fácil, mas ser criança numa família numerosa e extremamente pobre pior ainda...

 

É isso que vamos aprender com o Zezé, um menino de cinco anos, o pai está desempregado, só a mãe trabalha num fábrica para sustentar a família, por vezes toma conta do irmão mais novo (Luís) tornando-se o seu protector para que este não sinta a mesma falta de carinho, traquinas como todos os meninos da sua idade, mas totalmente incompreendido, tornando-se o alvo perfeito das descargas emocionais dos mais velhos, sendo até considerado um diabo, termina (quase) sempre como se de um saco de pancada se tratasse, um dia conta o seu segredo, inexplicávelmente aprendeu a ler, em vez de ser apoiado, vai ser "despachado" para a escola e continuar a vaguear pelas ruas ao Deus dará.

 

Mas as traquinices estão sempre presentes na sua vida e é assim que as conversar secretas com o seu Pé de laranja Lima (Minguinho), a sua interminável imaginação, a ligação com o Ariovaldo, a adoração da sua professora Cecilia ou a improvável amizade com o Manuel Valadares (o português) vão alterar por completo a sua vida.

 

Zezé, procura constantemente compreensão, carinho e amor dentro da sua casa, mas infelizmente a sua procura só vai ser realizada fora de portas, por meros desconhecidos ao ponto de ele guardar para si o segredo dessas amizades para não correr o risco de elas se desfazerem. Mas nada dura para sempre e Zezé irá sofrer como ninguém imagina uma dor bem maior do que a falta de carinho recebido até aí...

 

Um excelente hino à amizade, à incompreensão, até mesmo à falta de disponibilidade por parte da família em acompanhar o crescimento e necessidades desta criança, quantas crianças por este mundo fora não se chamarão Zezés...

 

"Pensei na fábrica um momento. Não gostava dela. O seu apito triste de manhã tornava-se mais feio às cinco horas. A fábrica era um dragão que todo o dia comia gente e de noite vomitava o pessoal muito cansado."

 

"- Olha Minguinho, não precisa ficar desse jeito. Ele é o meu maior amigo. Mas você é o rei absoluto das árvores, como o Luís é o rei absoluto dos irmãos.
Você precisa saber que o coração da gente tem que ser muito grande e caber tudo que a gente gosta."

 

"- Mas tu também não disseste que me matavas?
- Disse no comêço. Depois matei você ao contrário.
Fiz você morrer nascendo no meu coração.
...
- Adeus?
Sério. Você vê, eu não presto para nada, estou cansado de sofrer pancada e puxões de orelha. Vou deixar de ser uma boca a mais..."

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 José Mauro de Vasconcelos, escritor brasileiro, descendente de portugueses, nascido em 1920, no Rio de Janeiro, e falecido em 1984. Depois de ter tido várias profissões, viajou pelo interior do país, região que inspirou quase toda a sua obra. Um dos seus romances mais famosos, O Meu Pé de Laranja Lima , tornou-se o exemplo vivo da presença do tema da infância na sua escrita.

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publicado às 22:12


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