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Aquisições Literárias... Julho

por Tânia Tanocas, em 02.08.17

Julho, mais um mês com derrapagem orçamental em relação a aquisições literárias , com a carteira mais leve, mas tenho a certeza, com excelentes amiginhos novos... 

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Todos adquiridos há mesma vendedora no OLX

3€ cada um, paguei no total 21€ com os portes de envio, tudo livros que estavam na minha Whish... 

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Feira das Velharias 

No quarto Domingo de cada mês, existe aqui na minha terra uma feira das velharias, os livros (infelizmente) nunca abundam, mas neste mês trouxe estes, cada um a 1€, o "Águas Negras" foi 0.50€...  

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Compras em livrarias (novos)

Foram os únicos livros que comprei novos, o da Florbela Espanca descontei 1.55€ do saldo na Wook, ficou por 4.50€, o da Tess Gerritsen foi o mais caro a 14.80€, sinceramente se não fosse esta autora e a Lisa Garden, que são exclusivas do Círculo de Leitores já há muito que tinha deixado de ser sócia...  

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Ofertas 

E o que dizer, quando o nosso ex professor de história nos oferece livros... 

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Mais aquisições no OLX

Mais uns livrinhos adquiridos no OLX, lembram-se do meu descontentamento acerca da editora Alfaguara na Feira do Livro de Lisboa, sobre um livro que estaria na Hora H mas que depois ao chegar a Hora H já não estava? Pois bem, consegui adquirir o livro por 5€ no OLX, "O povo da eternidade não tem medo" o livro é para o meu companheiro, mas queria deixar registado a minha "guerra particular" entre editoras e particulares... 

"A mulher com véu" da Ruth Rendell foi 1.80€, "Extremamente alto e incrivelmente perto" foi 5€ e a "pechincha" do mês foi o "Born to Run" por 5€, todos os valores referidos já incluem portes de envio...  

 

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 Compras no Facebook

Adquirido por 5€ cada, já com portes, em leilões no facebook... 

 

E foi assim o meu mês de Julho em termos de comprinhas literárias, espero que vocês se tenham controlado melhor do que eu... 

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publicado às 18:03

"Noite" de Elie Wiesel - Opinião

por Tânia Tanocas, em 31.07.17

Quinta leitura do #bookbingoleiturasaosol

Categoria: "Género Favorito"

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Opinião:

Desde que li a sinopse deste livro, desejei instantaneamente compra-lo e ler, assim aconteceu, chegou o mês passado e foi (quase) devorado.
A parte mais difícil foi encaixar esta leitura numa das categorias do projecto #bookbingoleiturasaosol, a minha primeira ideia era completar a categoria do prémio literário, depois percebi que o prémio que Elie Wiesel tinha ganho era o Nobel da Paz, não sendo um prémio literário, tive de optar por outra categoria.
Não é novidade que "adoro" e tenho um certo "fascínio" e apreço por livros que abordem este tema, sendo assim achei bastante pertinente integrar esta leitura na categoria "Género Favorito".

 

"Nunca irei eu esquecer aquela noite, a primeira noite no campo, que transformou a minha vida numa longe noite sete vezes selada.

Nunca irei eu esquecer aquele fumo.
Nunca irei eu esquecer as pequenas faces das crianças cujos corpos eu vi serem transformados em fumo sob um céu silencioso.
Nunca irei eu esquecer aqueles chamas que consumiram a minha fé para sempre.
Nunca irei eu esquecer o silêncio nocturno que me privou toda a vida da vontade de viver.
Nunca irei eu esquecer esses momentos que assassinaram o meu Deus e a minha alma e transformaram os meus sonhos em cinzas.
Nunca irei eu esquecer essas coisas, mesmo sendo eu condenado a viver tanto tempo quanto o próprio Deus.
Nunca."

 

Não sei explicar, porque é que leio tantas histórias acerca deste tema, deveria ficar enfadada por ser mais do mesmo, mas para mim nunca é mais do mesmo, cada experiência é única, cada texto acrescenta sempre novos conteúdos, só o contexto é que é igual.

 

Noite é um livro com umas míseras 133 páginas, mas o suficiente para nos dar a conhecer o relato (bem escuro) da deportação do autor e da sua família, uma família judia que vive na Roménia, que não vai escapar ao destino de muitas outras famílias, primeiro são enclausurado num dos dois guetos de Sighet - Transilvânia ("Não eram os alemães nem os judeus que reinava no gueto - era a ilusão"), de seguida enviados para Birkenau - Auschwitz ("Aqui existia um campo de trabalho. Com boas condições. As famílias não seriam separadas. Somente os homens iriam trabalhar na fábricas. Os velhos e os doentes tratariam da terra. O barómetro da confiança deu um salto. Era a súbita libertação de todos os terrores das noites anteriores. Demos graças a Deus") e por fim vão efectuar a tão mortal caminhada da morte ("Um vento glacial soprava com violência. Mas nós marcháva-mos sem vacilar. Os SS obrigaram-nos a apressar o passo. «Mais depressa, canalha, cães sarnentos!» Porque não? O movimento aquecia-nos um pouco. O sangue corria mais facilmente nas veias. Tínhamos a sensação de voltarmos à vida...")

 

O que é que torna este pequeno livro num grande livro? Os momentos de reflexão que o autor faz acerca da religião, do bem e do mal que é tentar sobreviver num campo de concentração com os vários desafios que vão surgindo, o facto de ter de se preocupar não só consigo, mas com outros elementos da família, descrever as atrocidades que a sua visão assistiu.

 

Pode o ser humano ser tão "mesquinho" ao ponto de perder a benevolência para com os outros? Pode, mas é um acto que instintivamente jamais se apagará e marcará a mente e o espírito de quem passou por todo este caos, sofrimento e sobrevivência...

 

"Um dia em que estávamos parados, um operário tirou da sua sacola um bocado de pão e atirou-o para o vagão. Foi uma correria. Dezenas de homens esfomeados lutaram desesperadamente por causa de algumas migalhas. Os operários interessaram-se profundamente por este espectáculo.

Anos depois, assisti a um espectáculo semelhante em Adém. Os passageiros do nosso navio divertia-se a lançar moedas aos «nativos», que mergulhavam para as apanhar. Uma parisiense de porte aristocrático divertia-se muito com este jogo. De súbito, avistei duas crianças que se agrediam brutalmente, uma tentando estrangular a outra, e implorei à senhora:
- Peço-lhe que não atire mais moedas!
- Porque não? - perguntou ela. - Gosto de praticar a caridade..."

 

Para quem gosta do tema, este livro, certamente não vai desiludir.
"Este livro relata essas circunstâncias, e deixo aos leitores - que deveriam ser tão numerosos quanto os de" O Diário de Anne Frank" - descobrirem por si o milagre pelo qual aquela criança conseguiu escapar da morte." 

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Elias "Elie" Wiesel, (Sighetu Marmaţiei, 30 de Setembro de 1928 – Manhattan, 2 de Julho de 2016) foi um escritor judeu, sobrevivente dos campos de concentração nazistas, que recebeu o Nobel da Paz de 1986, pelo conjunto de sua obra de 57 livros, dedicada a resgatar a memória do holocausto e a defender outros grupos vítimas das perseguições. O pai de Elie era romeno e mãe proveniente da Hungria.

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publicado às 19:33

"Eu e Tu" de Niccolò Ammaniti - Opinião

por Tânia Tanocas, em 19.07.17

Quarta leitura do #bookbingoleiturasaosol
Categoria: "Juvenil / YA"

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Opinião:

Este livro baralhou por completo a escolha da categoria a preencher, inicialmente, estava destinado ao prémio literário, mas depois de o ler achei que se encaixava perfeitamente na categoria Juvenil / YA.

 

"Mimetismo batesianoverifica-se quando uma espécie animal inóquia usufrui da sua semelhança com uma espécie tóxica ou venenosa que vive no mesmo território, chegando mesmo a imitar a sua coloração. Deste modo, na mente dos predadores, a espécie imitadora é associada à espécie perigosa, aumentando assim, a sua possibilidade de sobrevivência."

 

O livro inicia 10 anos depois dos acontecimentos, retornando de seguida ao passado.
O nosso protagonista é Lourenzo, um jovem de..., anos vai relatando como é o seu dia a dia no liceu (particular) e em seguida a transferência para uma escola pública, o jovem tem e sempre teve problemas de relacionamento na escola, sente-se bem com o seu isolamento, mas isso acarreta consequências para a sua vida, um dia vê um documentário sobre os insectos miméticos e começa a comportar-se como eles.

 

É um garoto que é tão sufocado pela protecção maternal que um dia conta-lhe que uma amiga o convidou para uma semana de férias na montanha. A mãe fica de tal maneira extasiada que ele não tem coragem de dizer que se trata de uma mentira...

 

Lourenzo, vai assim ter uma semana em que se sente feliz, a fazer aquilo que ele gosta e acima de tudo, Lourenzo vai poder ser quem realmente ele é , mas alguém vai descobrir a sua mentira e estragar o seu paraíso. Esse alguém também deseja ajuda e compreensão, será que Lourenzo vai ser capaz de suportar uma intrusa e dar-lhe o devido auxílio necessário?

 

Gostei da premissa do livro, mas achei que lhe faltou bastante por contar e desenvolver, fiquei com a sensação de que estava a ler o guião de um capítulo de novela e que abruptamente terminou, deixando o espectador em suspenso...
Acima de tudo, acho que é uma leitura que se adequa aos leitores mais jovens, nem que seja para terem a noção de entreajuda e de como enfrentar alguns problemas sociais...

 

"Porque é que tinha de andar na escola? Porque é que o mundo funcionava assim? Nasces, vais à escola, trabalhas e morres. Quem tinha decidido que aquele era o modo certo de viver? Não se podia viver de maneira diferente?"

 

"Mas, quanto mais eu encenava esta farsa, mais diferente me sentia. O abismo que me separava dos outros tornava-se cada vez maior. Sozinho senti-me feliz, com os outros tinha de fingir.
Este facto, por vezes, afligia-me. Teria de os imitar para sempre?"

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Niccolò Ammaniti nasceu em Roma, cidade onde vive, e é um dos mais conceituados autores italianos da actualidade. Os seus livros são enormes sucessos de vendas internacionais e estão publicados em quarenta e quatro países.

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publicado às 17:40

Terceira leitura do #bookbingoleiturasaosol
Categoria: "Autor Lusófono"

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Opinião:

Confesso, sou chorona por natureza, mas este pequeno livrinho deu cabo do meu stock de lágrimas, acho que nunca tive uma leitura tão chorosa quanto esta, em determinados momentos, queria ler e não conseguia, de tão turvados que estavam os meus olhos...

 

A primeira edição deste livro foi em 1968 (quase a completar meio século de vida), nessa altura (e até mesmo agora), ser criança nem sempre era (é) fácil, mas ser criança numa família numerosa e extremamente pobre pior ainda...

 

É isso que vamos aprender com o Zezé, um menino de cinco anos, o pai está desempregado, só a mãe trabalha num fábrica para sustentar a família, por vezes toma conta do irmão mais novo (Luís) tornando-se o seu protector para que este não sinta a mesma falta de carinho, traquinas como todos os meninos da sua idade, mas totalmente incompreendido, tornando-se o alvo perfeito das descargas emocionais dos mais velhos, sendo até considerado um diabo, termina (quase) sempre como se de um saco de pancada se tratasse, um dia conta o seu segredo, inexplicávelmente aprendeu a ler, em vez de ser apoiado, vai ser "despachado" para a escola e continuar a vaguear pelas ruas ao Deus dará.

 

Mas as traquinices estão sempre presentes na sua vida e é assim que as conversar secretas com o seu Pé de laranja Lima (Minguinho), a sua interminável imaginação, a ligação com o Ariovaldo, a adoração da sua professora Cecilia ou a improvável amizade com o Manuel Valadares (o português) vão alterar por completo a sua vida.

 

Zezé, procura constantemente compreensão, carinho e amor dentro da sua casa, mas infelizmente a sua procura só vai ser realizada fora de portas, por meros desconhecidos ao ponto de ele guardar para si o segredo dessas amizades para não correr o risco de elas se desfazerem. Mas nada dura para sempre e Zezé irá sofrer como ninguém imagina uma dor bem maior do que a falta de carinho recebido até aí...

 

Um excelente hino à amizade, à incompreensão, até mesmo à falta de disponibilidade por parte da família em acompanhar o crescimento e necessidades desta criança, quantas crianças por este mundo fora não se chamarão Zezés...

 

"Pensei na fábrica um momento. Não gostava dela. O seu apito triste de manhã tornava-se mais feio às cinco horas. A fábrica era um dragão que todo o dia comia gente e de noite vomitava o pessoal muito cansado."

 

"- Olha Minguinho, não precisa ficar desse jeito. Ele é o meu maior amigo. Mas você é o rei absoluto das árvores, como o Luís é o rei absoluto dos irmãos.
Você precisa saber que o coração da gente tem que ser muito grande e caber tudo que a gente gosta."

 

"- Mas tu também não disseste que me matavas?
- Disse no comêço. Depois matei você ao contrário.
Fiz você morrer nascendo no meu coração.
...
- Adeus?
Sério. Você vê, eu não presto para nada, estou cansado de sofrer pancada e puxões de orelha. Vou deixar de ser uma boca a mais..."

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 José Mauro de Vasconcelos, escritor brasileiro, descendente de portugueses, nascido em 1920, no Rio de Janeiro, e falecido em 1984. Depois de ter tido várias profissões, viajou pelo interior do país, região que inspirou quase toda a sua obra. Um dos seus romances mais famosos, O Meu Pé de Laranja Lima , tornou-se o exemplo vivo da presença do tema da infância na sua escrita.

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publicado às 06:40

Segunda leitura do #bookbingoleiturasaosol

Categoria: "BD"

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Opinião:

Conheci o Armandinho, quando um dia me deparei com esta tirinha, a partir dai fiquei fã...

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Algures (acho que foi no Goodreads) li uma opinião que descrevia o Armandinho como uma mistura de Mafalda e Calvin & Hobbes, e é essa também a minha opinião.

 

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Armandinho não gosta da escola, de comer, tomar banho e arrumações...

 

 

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 Adora doces, comidas nada saudáveis, animais, natureza, ver TV e jogar videogame...

 

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Não compreende algumas atitudes dos humanos, principalmente a falta de tempo dos pais para com ele...

 

Tem um raciocínio de criança, mas que deixa qualquer adulto sem palavras, principalmente a sua argumentação. Apesar das tiras serem facilmente encontradas na Internet, adquiri estes dois exemplares em papel, quando terminei o Armandinho zero, não me contive e devorei logo de seguida o Armandinho um.

 

Ainda não sei se irei completar o resto da colecção (Armandinho vai evoluindo e eu gosto da sua evolução, cada vez mais preocupado com o meio ambiente e questões sociais), mas de uma coisa tenho a certeza, o Armandinho já conquistou o meu coração e de lá não irá sair...

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Alexandre Beck passou pelas faculdades de agronomia (sempre foi um grande apreciador do meio ambiente, e dos animais), publicidade e jornalismo. Numa busca para se encontrar , que contrasta com a certeza absoluta da sua vida: a paixão por desenhar.
Em 2002 surgiu uma vaga num jornal para fazer tirinhas e então criou os seus personagens. Alguns eram baseados em amigos seus. Alexandre ocupava a metade de um dia a fazê-los. 

Em 2010, pediram-lhe três tirinhas para uma matéria sobre economia onde os pais conversavam com as crianças. Assim nasceu o Armandinho.

O nome do Armandinho foi escolhido num concurso. Segundo o vencedor, este nome deve-se ao facto do personagem sempre está armando algo.

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publicado às 15:57


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