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Sinopse:

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A minha opinião:

Joseph Joffo vivia com os pais e o irmão Maurice nos arredores de Paris, os outros dois irmãos e uma irmã, mais velhos, já tinha partido para dar rumo às suas vidas.

Em 1941 Joseph tinha 10 anos e Maurice 12 quando tiveram de deixar de se crianças e enfrentar como gente grande as atrocidades dos adultos.

 

"Volto-me. O Maurice está imóvel sobre o quebra-luz do candeeiro. A palma da mão alisa na aba esquerda do casaco a estrela amarela cosida com grandes pontos: 
JUDEU 
O Maurice olha para mim. 
- Não chores que também vais receber uma medalha.
...
-Ola! 
Olha-me, fita o meu peito e fica de olhos arregalados. Eu engulo o cuspo. 
O silêncio é comprido quando se é pequeno. 
- Safa - murmura ele. - Tens uma sorte danada, ficas porreiro com isso. 
Maurice e eu rimo-nos, sinto um enorme alívio. Entramos os três no pátio.
O Zérati não se cala. 
- Caramba - diz. - Isso até parece uma condecoração. Vocês têm uma sorte bestial. Sinto vontade de lhe dizer que nada fiz para a merecer, mas a reação dele acalma-me, no fundo tem razão, é como se fosse uma grande medalha, não brilha mas dá nas vistas. "

 

Este livro demonstra bem o estado da época em que se vivia e a inocência destas crianças perante a situação. Qual é o pai ou a mãe que tem a coragem de enviar os seus dois filhos menores sozinhos em busca de refúgio nos irmãos mais velhos? Hoje em dia essa hipótese só se põe no mais infinito desespero humano. Mas foi mesmo essa a única alternativa que os pais de Joseph e Maurice encontraram perante o desenvolvimento dos acontecimentos. Nem quero imaginar quanta dor esta decisão causou nos corações destes pais.

 

"- Pronto - disse o pai -, são horas. No bolso das mochilas, o que tem o fecho de correr, está o dinheiro e um papelinho com a morada exacta do Henri e do Albert. Vou dar-lhes dois bilhetes para o comboio, digam adeus à mamã e vão-se embora.
Ela ajudou-nos a enfiar as mangas do sobretudo e pôr-nos o cachecol. Puxou-nos as peúgas. Sorria sem parar e chorava sem parar, senti a cara dela molhado na minha testa, e a boca também, húmida e salgada. 
O meu pai pô-la de pé e soltou o riso mais falso que eu já ouvi até hoje. 
- Caramba -  exclamou ele -, até parece que eles se vão embora para sempre e que se trata de recém-nascidos! Vamos, ponham-se a andar, até breve, meninos. 
Um beijo rápido e as suas mãos empurraram-nos para a escada, a mochila pesava-me no braço e o Maurice abriu a porta que dava para a noite. 
Quanto aos meus pais, tinham ficado lá no alto. Soube mais tarde, quando tudo estava acabado, que o meu pai ficara a baloiçar suavemente, de olhos fechados, embalando uma dor imemorial.
Na noite sem luz, nas ruas desertas onde dentro em pouco iria soar a hora de recolher obrigatório, nós desaparecemos nas trevas. 
Lá se ia a infância."

 

Ao chegar a meio do caminho, em pleno dia era notório a realidade em que várias povoações se encontravam.

 

"A rua central sob um pouco. Mal pavimentada, faz soar as nossas solas e assim chegamos a uma fonte debaixo de um pórtico. Não há vivalma nas ruas, só um ou outro cão que aparece e desaparece numa ruela depois de nos ter cheiro das tíbias. Cheira a vaca e a lenha queimada, o ar é vivo e parece não encontrar obstáculos até chegar com violência ao fundo dos brônquios.

Duas mercearias fazem frente uma outra à outra no que deve ser a rua principal e ambas estão fechadas.

- Chiça – resmunga o Maurice -, parece que morreu toda a gente aqui.

Aquele silêncio também começa impressionar-me. Depois do barulho do comboio, da confusão da partida, da chegada, quase que nos sentimos privados de um sentido, como se tivessem enviado duas grandes bolas de algodão nos ouvidos."

 

São notórios os perigos que esta dupla vai enfrentando, mas é delirante a maneira como estes dois pequenos seres os vão contornando.
Neste período (sobre) vivia quem tinha algum dinheiro e logo se aperceberam de que tinham de arregaçar as mangas e pôr a cabeça a funcionar, para conseguir algum dinheiro. 
A inocência infantil, nunca desaparece, talvez para nos rir-mos lembrando de que estamos a seguir o “rasto” de duas crianças sozinhas pelos caminhos e inundados de famílias à procura de um refúgio.

 

"O cão olha-me, de focinho em cima das patas e com a língua caída. Tem um ar de cão parisiense, daqueles que se encontram ao pé dos candeeiros entre a Rue Simard e a Rue Eugène-Sue. Talvez seja também um refugiado, passou a linha como nós, se calhar é um cão judeu.”

 

O que é certo, é que eles acabam por chegar à casa dos irmãos e os meses que por lá ficam são de grandes aventuras e de atitudes de gente grande. Mas, a guerra alastra-se por toda a França e mais uma vez sofrem um duro golpe, quando os pais são presos.

Durante algum tempo voltam a ser uma família toda reunida, uma altura em que Joseph e Maurice poderem voltar a ser crianças, mas quando se retira a inocência de uma criança, dificilmente esse sentimento volta a prosperar.

Mas a guerra não estava assim tão longe e nem tão perto do fim, mais uma vez Maurice e Joseph, foram obrigados a se separar da família e voltar a pôr as mochilas às costas. Fugindo para um campo chamado Nova Colheita. Vai ser aqui que eles sofrerão os piores pesadelos e as maiores dificuldades, a guerra já estava no auge e muitos já tinham sido deportados, gaseados, morrido e muitos outros na iminência de sucumbirem às mãos do regime nazi.

Aqui que pelos olhos inocente destas crianças deparamo-nos com cenas que se repetiram milhares de vezes mas sempre que as lemos, caem-nos tudo ao chão.

 

"Eu era novo, muito novinho, mas creio que, mesmo mais novo que fosse, teria compreendido que aqueles dois velhos se olhavam como pessoas que viveram juntas toda a vida e que sabem que as vão separar e que terão de fazer sozinhas, cada uma por seu lado, o resto do caminho que ainda têm de percorrer."

 

Também aqui é notório o perfeccionismo dos nazis, não descansavam até passar a pente fino qualquer caso que merecesse a sua atenção.

 

"O nosso processo estava aberto em cima da secretária, havia papéis em maior abundância e cartas.

Por conseguinte, não haviam posto o assunto de parte e eu fiquei para morrer. Eles tinha de se haver com uma guerra mundial, recuavam perante os russos e os americanos, batiam-se nos quatro cantos do planeta, e ainda gastavam homens e tempo para saber se dois miúdos eram judeus ou não, e isto há mais de três semanas!"

 

Nota: Não pensam que nesta minha opinião vos revelei o livro todo, nem por sombras, simplesmente decidi dar um pouco mais de destaque a este livro porque como não é nenhuma novidade, nem fácil de encontrar (eu própria o li emprestado e não conhecia), pretendo assim aguçar a vossa curiosidade o suficiente para que vocês um dia consigam encontrar e ler este belíssimo relato de duas crianças de 10 e 12 anos pelos caminhos da guerra. Não é uma narrativa, no meio de tantas, de quem conseguiu ganhar e sobreviver à guerra, mas que ficou para sempre com a infância perdida.

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Joseph Joffo, filho de cabeleireiros, nasceu em Paris em 1931, vive actualmente em Paris, tem três filhos e deu continuidade há profissão do pai e irmãos. Passou a sua infância num dos bairros populares de Paris, passava o tempo a jogar ao berlinde e sempre em brincadeiras com o irmão. Aquando o rebentamento da Segunda Guerra Mundial, os membros da família Joffo decidiu dispersar-se para evitar a captura e deportação, junto com seu irmão Maurice, ele é enviado para o sul da França, então ocupada pelos italianos.

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publicado às 20:09



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