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Sinopse

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A minha opinião:

Depois de ter lido opiniões tão favoráveis a este livro, tinha muita curiosidade em confirmar por mim se o seu conteúdo era mesmo motivo de tanto alarido. Não contava fazer esta leitura agora, derivado a estar a dedicar este mês a leituras sobre o Holocausto e II Guerra Mundial, mas depois constatei que o livro até se enquadrava no desafio e não perdi mais tempo no adiamento da sua leitura.

 

O livro além de ter um título altamente improvável, também é escrito de forma muito peculiar, em forma de romance epistolar (contado sob a forma de cartas), conhecemos a Juliet, uma escritora que lançou um livro, sob um pseudónimo que fora um sucesso enquanto a decorria a guerra, já no pós-2.ª Guerra Mundial, Juliet anda sem inspiração para um novo livro.

 

É nesta altura de bloqueio que recebe uma carta de Dawsey Adams, um dos habitantes de Guernsey, que leu um livro pertencente a Juliet onde encontrou a sua morada. É assim que Juliet fica a conhecer a Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata e o seu interesse é tão apaixonado que começa assim uma longa troca de cartas com os outros membros da sociedade.

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Guernsey, um autêntico cartão postal, mas que durante a II Guerra Mundial, também não escapou aos domínios dos nazis e a pacatez dos habitantes desta ilha levou um rumo nunca antes sentido. Para poderem escapar um pouco da pressão dos nazis, certa noite determinados habitantes juntaram-se para saciar a fome que também se abateu sobre eles, mas a coisa não correu lá muito bem e numa situação crítica inventaram uma Sociedade Literária, para poderem escapar. E é assim que uma mentira encontrada à pressa, tornou-se um escape da guerra para aqueles moradores.

 

Só não dei a nota máxima, porque achei o final concluído um bocado de forma abrupto, mas em suma, fiquei bastante satisfeita, porque ao longo do livro, realmente confirmei que este romance é sem dúvida um relato comovente sobre o poder da amizade, através dos livros e do amor. Aprovo a 100% que este livro esteja na lista do Plano Nacional de Leitura, uma leitura recomendada para a Formação de Adultos, como sugestão de leitura.

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Mary Ann Shaffer nasceu a 13 de Dezembro de 1934, Virgínia, EUA. Trabalhou como editora, bibliotecária e em livrarias. O seu sonho de toda a vida era um dia escrever seu próprio livro e publicá-lo. Enquanto escrevia este livro, infelizmente, ficou muito doente com

cancro e por isso pediu à sua sobrinha, Annie Barrows, para ajudá-la a terminar o livro. Mary Ann Shaffer morreu em Fevereiro de 2008, alguns meses antes do seu primeiro romance ter sido publicado.

Annie Barrows nasceu em 1962 em San Diego, Califórnia. Actualmente mora no norte da Califórnia com seu marido e duas filhas.

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publicado às 22:52

Sinopse:

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A minha opinião:

Joseph Joffo vivia com os pais e o irmão Maurice nos arredores de Paris, os outros dois irmãos e uma irmã, mais velhos, já tinha partido para dar rumo às suas vidas.

Em 1941 Joseph tinha 10 anos e Maurice 12 quando tiveram de deixar de se crianças e enfrentar como gente grande as atrocidades dos adultos.

 

"Volto-me. O Maurice está imóvel sobre o quebra-luz do candeeiro. A palma da mão alisa na aba esquerda do casaco a estrela amarela cosida com grandes pontos: 
JUDEU 
O Maurice olha para mim. 
- Não chores que também vais receber uma medalha.
...
-Ola! 
Olha-me, fita o meu peito e fica de olhos arregalados. Eu engulo o cuspo. 
O silêncio é comprido quando se é pequeno. 
- Safa - murmura ele. - Tens uma sorte danada, ficas porreiro com isso. 
Maurice e eu rimo-nos, sinto um enorme alívio. Entramos os três no pátio.
O Zérati não se cala. 
- Caramba - diz. - Isso até parece uma condecoração. Vocês têm uma sorte bestial. Sinto vontade de lhe dizer que nada fiz para a merecer, mas a reação dele acalma-me, no fundo tem razão, é como se fosse uma grande medalha, não brilha mas dá nas vistas. "

 

Este livro demonstra bem o estado da época em que se vivia e a inocência destas crianças perante a situação. Qual é o pai ou a mãe que tem a coragem de enviar os seus dois filhos menores sozinhos em busca de refúgio nos irmãos mais velhos? Hoje em dia essa hipótese só se põe no mais infinito desespero humano. Mas foi mesmo essa a única alternativa que os pais de Joseph e Maurice encontraram perante o desenvolvimento dos acontecimentos. Nem quero imaginar quanta dor esta decisão causou nos corações destes pais.

 

"- Pronto - disse o pai -, são horas. No bolso das mochilas, o que tem o fecho de correr, está o dinheiro e um papelinho com a morada exacta do Henri e do Albert. Vou dar-lhes dois bilhetes para o comboio, digam adeus à mamã e vão-se embora.
Ela ajudou-nos a enfiar as mangas do sobretudo e pôr-nos o cachecol. Puxou-nos as peúgas. Sorria sem parar e chorava sem parar, senti a cara dela molhado na minha testa, e a boca também, húmida e salgada. 
O meu pai pô-la de pé e soltou o riso mais falso que eu já ouvi até hoje. 
- Caramba -  exclamou ele -, até parece que eles se vão embora para sempre e que se trata de recém-nascidos! Vamos, ponham-se a andar, até breve, meninos. 
Um beijo rápido e as suas mãos empurraram-nos para a escada, a mochila pesava-me no braço e o Maurice abriu a porta que dava para a noite. 
Quanto aos meus pais, tinham ficado lá no alto. Soube mais tarde, quando tudo estava acabado, que o meu pai ficara a baloiçar suavemente, de olhos fechados, embalando uma dor imemorial.
Na noite sem luz, nas ruas desertas onde dentro em pouco iria soar a hora de recolher obrigatório, nós desaparecemos nas trevas. 
Lá se ia a infância."

 

Ao chegar a meio do caminho, em pleno dia era notório a realidade em que várias povoações se encontravam.

 

"A rua central sob um pouco. Mal pavimentada, faz soar as nossas solas e assim chegamos a uma fonte debaixo de um pórtico. Não há vivalma nas ruas, só um ou outro cão que aparece e desaparece numa ruela depois de nos ter cheiro das tíbias. Cheira a vaca e a lenha queimada, o ar é vivo e parece não encontrar obstáculos até chegar com violência ao fundo dos brônquios.

Duas mercearias fazem frente uma outra à outra no que deve ser a rua principal e ambas estão fechadas.

- Chiça – resmunga o Maurice -, parece que morreu toda a gente aqui.

Aquele silêncio também começa impressionar-me. Depois do barulho do comboio, da confusão da partida, da chegada, quase que nos sentimos privados de um sentido, como se tivessem enviado duas grandes bolas de algodão nos ouvidos."

 

São notórios os perigos que esta dupla vai enfrentando, mas é delirante a maneira como estes dois pequenos seres os vão contornando.
Neste período (sobre) vivia quem tinha algum dinheiro e logo se aperceberam de que tinham de arregaçar as mangas e pôr a cabeça a funcionar, para conseguir algum dinheiro. 
A inocência infantil, nunca desaparece, talvez para nos rir-mos lembrando de que estamos a seguir o “rasto” de duas crianças sozinhas pelos caminhos e inundados de famílias à procura de um refúgio.

 

"O cão olha-me, de focinho em cima das patas e com a língua caída. Tem um ar de cão parisiense, daqueles que se encontram ao pé dos candeeiros entre a Rue Simard e a Rue Eugène-Sue. Talvez seja também um refugiado, passou a linha como nós, se calhar é um cão judeu.”

 

O que é certo, é que eles acabam por chegar à casa dos irmãos e os meses que por lá ficam são de grandes aventuras e de atitudes de gente grande. Mas, a guerra alastra-se por toda a França e mais uma vez sofrem um duro golpe, quando os pais são presos.

Durante algum tempo voltam a ser uma família toda reunida, uma altura em que Joseph e Maurice poderem voltar a ser crianças, mas quando se retira a inocência de uma criança, dificilmente esse sentimento volta a prosperar.

Mas a guerra não estava assim tão longe e nem tão perto do fim, mais uma vez Maurice e Joseph, foram obrigados a se separar da família e voltar a pôr as mochilas às costas. Fugindo para um campo chamado Nova Colheita. Vai ser aqui que eles sofrerão os piores pesadelos e as maiores dificuldades, a guerra já estava no auge e muitos já tinham sido deportados, gaseados, morrido e muitos outros na iminência de sucumbirem às mãos do regime nazi.

Aqui que pelos olhos inocente destas crianças deparamo-nos com cenas que se repetiram milhares de vezes mas sempre que as lemos, caem-nos tudo ao chão.

 

"Eu era novo, muito novinho, mas creio que, mesmo mais novo que fosse, teria compreendido que aqueles dois velhos se olhavam como pessoas que viveram juntas toda a vida e que sabem que as vão separar e que terão de fazer sozinhas, cada uma por seu lado, o resto do caminho que ainda têm de percorrer."

 

Também aqui é notório o perfeccionismo dos nazis, não descansavam até passar a pente fino qualquer caso que merecesse a sua atenção.

 

"O nosso processo estava aberto em cima da secretária, havia papéis em maior abundância e cartas.

Por conseguinte, não haviam posto o assunto de parte e eu fiquei para morrer. Eles tinha de se haver com uma guerra mundial, recuavam perante os russos e os americanos, batiam-se nos quatro cantos do planeta, e ainda gastavam homens e tempo para saber se dois miúdos eram judeus ou não, e isto há mais de três semanas!"

 

Nota: Não pensam que nesta minha opinião vos revelei o livro todo, nem por sombras, simplesmente decidi dar um pouco mais de destaque a este livro porque como não é nenhuma novidade, nem fácil de encontrar (eu própria o li emprestado e não conhecia), pretendo assim aguçar a vossa curiosidade o suficiente para que vocês um dia consigam encontrar e ler este belíssimo relato de duas crianças de 10 e 12 anos pelos caminhos da guerra. Não é uma narrativa, no meio de tantas, de quem conseguiu ganhar e sobreviver à guerra, mas que ficou para sempre com a infância perdida.

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Joseph Joffo, filho de cabeleireiros, nasceu em Paris em 1931, vive actualmente em Paris, tem três filhos e deu continuidade há profissão do pai e irmãos. Passou a sua infância num dos bairros populares de Paris, passava o tempo a jogar ao berlinde e sempre em brincadeiras com o irmão. Aquando o rebentamento da Segunda Guerra Mundial, os membros da família Joffo decidiu dispersar-se para evitar a captura e deportação, junto com seu irmão Maurice, ele é enviado para o sul da França, então ocupada pelos italianos.

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publicado às 20:09

Desabafo... #1

por Tânia Tanocas, em 30.01.17

1105783.jpgO 45º Presidente dos EUA, dicidiu barrar a entrada nos EUA aos cidadãos do Iraque, Iêmen, Irão, Síria, Líbia, Somália e Sudão.

"Tem como objectivo" manter terroristas islâmicos fora dos Estados Unidos", diz o "Senhor" Presidente.

Ok, até aqui tudo bem (mal!!!)...

Mas se a intenção é essa, será que países como, Arábia Saudita, Egipto, Turquia, Jordânia, Marrocos, Tunísia, Paquistão, Maldivas, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Cisjordânia, Argélia, etc, não deveriam constar também dessa lista?!

Será que o "Senhor" Presidente quer proteger os cidadãos americanos, ou continuar a lutar pelos seus interesses pessoais?!

Enfim... Não percam esta "comédia", porque eu também não... 

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publicado às 18:31

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A 27 de Janeiro de 1945, as tropas Soviéticas entram no campo de concentração de Auschwitz – Birkenau, um dia que deveria ser de alegria e comemoração, mas que logo há chegada se confirmou ser um dia de horror, ao constatarem as atrocidades que os seus olhos viam naquelas pessoas que tentavam não perder o seu último suspiro de vida.

 

Faz hoje precisamente 72 anos. Parece um passado muito longínquo, mas o que estas pessoas passaram jamais deveriam ter sentido, quanto mais ser esquecido, resta a nós gerações actuais e as futuras, para sempre serem relembradas todas as desumanidades vividas no Holocausto.

 

Assim, a 1 de Dezembro de 2005, numa das Assembleias Geral das Nações Unidas, foi decretado o dia 27 de Janeiro, como Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, para que o mundo e os povos possam homenagear e recordar os mais de onze milhões de pessoas, vítimas das crueldades do regime Nazi.

 

Quando falo, escrevo, leio, penso e reflicto sobre o Holocausto, não me cinjo só aos Judeus (6 a 7 milhões), mas igualmente de outros povos, raças e credos que também sofreram, como foi o caso dos Eslavos e Poloneses (não judeus - 3,5 a 6 milhões), Ciganos (220 mil a 1,5 milhão), Dissidentes políticos e religiosos: 1 a 1,5 milhão, Deficientes físicos e mentais (200 a 800 mil), Testemunhas de Jeová (1,5 a 5 mil), Homossexuais (5 a 25 mil).

 

Este mês, com o projecto #hol72, tenho tentado não esquecer e sentir minimamente a dor (como se isso alguma vez fosse capaz) de todos aqueles que quiseram transcrever para o papel as suas memórias e a realidade vivida naqueles anos, realidade essa que muita gente quer escamotear e até, de uma maneira ou de outra, trazer para a realidade dos nossos dias (talvez não com a mesma dimensão, mas por mínima que seja a intenção, já é o suficiente para nos colocar em alerta).

 

Gostava, que todos nós perdesse-mos uns minutos para pensar e até porque não, explicar aos membros mais novos o que foi o Holocausto, Shoah, Genocídio.

Gostei muito deste artigo do jornal DN, porque não irem lá espreitar e ficarem mais consciencializados com o facto, quer seja para se informarem mais ou para divulgarem.

http://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/convidados/interior/recordar-o-holocausto-5631096.html

 

Termino deixando aqui um vídeo de Auschwitz (actualmente), hoje em dia transformado em museu. Muito se perdeu em termos de factos históricos, mas acho que dá para terem uma (mínima) ideia de como era sobreviver nestes campos, com fome, doenças, frio... 

 

Já estou a fazer este post um pouco fora do contexto (de horas), mas não queria deixar de assinalar este dia, pois nunca, jamais, estará fora da minha lembrança e pensamento...

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publicado às 23:56

 Sinopse

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A minha opinião:

A primeira sensação que tenho ao terminar esta leitura é de que é “mais do mesmo” sobre o assunto. Mas depois, fico a remoer sobre o relato desta mulher, o que ela menciona sobre os pequenos (grandes) confortos básicos do nosso dia-a-dia e bate na minha consciência de que não é nada só mais um testemunho perdido no meio de tantos, mas sim uma chamada de atenção para todos nós.

 

Esta senhora, como a maior parte dos sobreviventes e não sobreviventes do Holocausto passou por provações que para muitos humanos seria motivo de pânico, morte ao primeiro contratempo.
Foi interessante ler por tudo o que passou, mas a beleza deste livro está na parte pós Holocausto, em que teve de (literalmente) sobreviver para viver.

 

Dir-se-á que teve alguma sorte, sim é verdade, mas muitas das vezes a sorte conquista-se, luta-se diariamente com todas as nossas forças, abdica-se de certezas e envereda-se e pelo desconhecido.
Tudo o que hoje é seu foi adquirido com muita força, perseverança e vontade, sem a ajuda de (quase) ninguém, na altura não se falava do assunto para se poder esquecer, não havia psicólogos para tudo e para nada, estas vítimas acabaram por sobreviver fisicamente a um trauma que dizimou as suas almas. Nanette conquistou o direito a viver, constituiu uma família, mas sem nunca esquecer do que passou e de que a linha entre a paz e a guerra é sempre uma ligação muito ténue.

 

O seu primeiro destino foi o campo de Westerbork, tinha sido construido pelo governo da Holanda em 1939 para receber os judeus refugiados da Alemanha, que tinham medo do perigo crescente que o Partido Nazi representava para a sua segurança. Esta foi uma estrutura muito útil para os interesses perversos alemães. No final de 1941, decidiram que este era o local ideal para ser o campo de transição dos judeus holandeses que seriam deportados para os campos de extermínio. Em Julho de 1942, os alemães assumir o controlo do local e a operação foi iniciada. Era um local de paragem antes de se ser enviado para a morte. Só depois foi enviada para o campo Bergen-Belsen, este local não era considerado um campo de extermínio, mas será que deixar pessoas morrer de fome, de doenças, de frio e sem as mínimas condições básicas, não é mais uma forma de extermínio? Foi aqui que teve um último contacto com a colega de escola Anne Frank.

 

“Infelizmente, não existe o botão «Delete» na minha mente. Gostaria de poder apagar o que vi e vivi e, especialmente, a sensação de sofrimento. Esse sofrimento não estava só dentro de mim, estava fora. Eu respirava o sofrimento, ele fazia parte do meu mundo. Mas depois, penso: de que me adiantaria esquecer? O que ganharia com isso? Paz? Talvez, mas uma paz falsa, uma paz cega, pois sei que esquecer é permitir que outros, nos nossos piores pesadelos, também possam passar por isso. Eu recordo para poder viver, porque esquecer significa morrer e perder de vez a minha família.”

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 Nanette Blitz Konig

Nasceu em Amesterdão a 6 de abril de 1929, é conhecida por ter sido uma das amigas da escritora judia Anne Frank, morta no campo de concentração de Bergen-Belsen.

 

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publicado às 20:17

"Grita" de Laurie Halse Anderson - Opinião

por Tânia Tanocas, em 21.01.17

Sinopse

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A minha opinião:

Claustrofóbico, um pedido de ajuda silencioso, um relato bem elaborado por parte de quem se sente vítima de algo. Um grito silencioso, que nos alcança com todo o som possível. Só quem não quer ver é que não consegue ouvir este “Grita”.

 

Iniciei esta leitura no final de 2016, mas coloquei-a em stand-by porque achei que não era o momento adequado para ouvir o grito de Melinda Sordino. O livro é relatado de uma forma interessante, ressalvando os aspectos importantes ou desabafos da protagonista por um ano lectivo inteiro, subdividindo esse ano pelos vários períodos escolares.

 

No final do ano anterior acontece a Melinda algo que vai mudar a sua vida e o relacionamento entre aqueles que antes eram seus amigos. E quando mais um ano escolar inicia, ela não consegue lidar com o sucedido transformando-se numa pessoa sozinha e antissocial. Ninguém consegue compreender Melinda, e o mais impressionante é que o ambiente em casa (que devia de ser o seu porto de abrigo) também não reina a paz.

 

Considero este livro uma autêntica chamada de atenção de e para qualquer pessoa que se sinta presa a algo e que não tem escapatória. As pessoas são más, mesquinhas, insensíveis e não querem ver além do seu próprio umbigo, Laurie conseguiu transcrever bem o sentimento de quem quer gritar, mas não consegue mais do que enfrentar o seu silêncio sozinho.

 

Este livro tocou-me bastante na medida em que também eu nunca fui popular, não tinha grupinhos, sempre passei e passo grande parte da minha vida na solidão dos meus silêncios, na maioria das vezes este silêncio é reconfortante, mas outras vezes é um grito que se tenta calar…

Muitas das vezes a sociedade apelida-nos de antissocial, pois não compreendem os nossos medos, receios e ansiedades… Também não querem entender quem de uma maneira ou outra sai dos padrões (ditos) normais da sociedade… Cabe a cada um de nós viver com os seus medos e anseios. A vida é uma selva, onde cada animal tenta sobreviver ao seu dia a dia, utilizando as suas armas, a de Melinda foi o silêncio, a minha é o de passar o mais despercebido possível.

 

É um livro curto mas acho que faltou ali algo que nos abanasse e não aquilo que fui sentindo, uma submissão aos pensamentos “marados” de Melina, por vezes contado de uma forma que nos pode baralhar um pouco, não que tenha um texto complicado, mas a forma como está elaborando pode aborrecer por vezes, principalmente quando Melinda divaga ao falar dos professores…

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Laurie Halse Anderson é uma autora de bestsellers, presença frequente no Top do The New York Times, que escreve livros para pessoas de todas as idades. Conhecida por abordar temáticas difíceis com frontalidade, sensibilidade e humor, já recebeu e foi nomeada para muitos prémios. Grita foi finalista do National Book Award. Em 2009, Laurie foi agraciada com uma distinção da YALSA - The Young Adult Library Services Association, por mérito na edição de livros para jovens e adultos.

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publicado às 01:32

Sinopse:

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A minha opinião:

Livro de leitura compulsiva, onde a ânsia de saber que final terá fez com que ficasse agarrada a cada página. Escrito em forma de ficção, mas com bastantes factores históricos a suportar esta estória.

 

Mais uma vez entramos dentro da fortaleza assassina nazi, Auschwitz, mais propriamente em Birkenau II, Desta vez deixei-me levar pela saga de uma família cigana, mais uma raça que foi fortemente aniquilada em proveito dos ideais de Hitler. Os tempos ruins já estava a decorrer e esta família tentava ao máximo passar despercebida, algo que se vai revelar desastroso aos olhos de quem tudo via na altura.

 

Helene Hanneman, alemã “pura”, enfermeira, mãe de 5 filhos e casada com o grande amor da sua vida. A vida desta mulher tinha tudo para ser perfeita, mas deste cedo que ela é hostilizada por ter escolhido para marido um cigano. Os soldados nazis chegam a sua casa, quando ela se preparava para ir trabalhar e levar os filhos à escola, no meio desta tarefa perfeitamente normal tudo se desmorona e quando Helene pensa que “só” o seu marido vai ser afectado com a detenção, logo surge mais um murro no estômago…

“- As crianças também são romani. A ordem também inclui a elas. Não se preocupe você pode ficar – Disse o sargento tentando explicar-me de novo a situação. Certamente o meu rosto refletia pela primeira vez o desespero que já sentia há algum tempo.

- A mãe é alemã - tentei argumentar.

- Receio que isso não importe neste momento. Falta uma criança, nos meus documentos consta que são cinco filhos e o pai - respondeu sargento muito sério.

Não reagi. Senti-me paralisada pelo temor, mas tentei tragar as lágrimas. Os meus filhos não deixaram de olhar para mim, devia ser forte.

- Preparo-os num instante. Iremos todos consigo. A pequena ainda está na cama - surpreendeu-me ouvir-me, como se realmente não fosse eu a falar, parecia que as palavras saíam de outros lábios.

- Você não vem, Frau Hanneman, só as pessoas de raça zíngara, os ciganos - disse o sargento.

- Herr polizei, eu irei para onde a minha família for. Agora permita-me que prepare as malas e que vista a pequena.”

 

A partir daqui tudo vai ser uma constante luta, desespero, dificuldades e alguma descrença, mas apesar de todos os contratempos, a união em proteger a sua família vai tentando levar a melhor. Helene vai acabar por ter um papel fundamental, naquela que seria uma tranquilidade camuflada, algo que vai dar algum conforto a mais de 50 crianças existentes naquele campo cigano em Birkenau (Auschwitz II), a criação de uma creche por ordens do doutor Mengele. É interessante ver como os ciganos se vão protegendo e a importância que dão á família.

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Estes prisioneiros também vão-se apercebendo das atrocidades do doutor Mengele, acho que foi isso que menos gostei no livro, a certa altura dou comigo a pensar neste homem como alguém bom, despromovido do todo mal que afectava os outros alemães no campo. Homem esse que foi apelidado de “anjo da morte”.

 

Não sou mãe, (nem tenho pretensão de ser) mas sou filha e este livro fez-me pensar muito na minha mãe, em todos os sacrifícios que ela faria para proteger e criar o mínimo bem-estar aos seus filhos, por isso não conseguir ficar indiferente a esta maravilhosa história de coragem, determinação e todo o amor maternal.

 

“Às vezes temos que perder tudo para conseguir obter o mais importante. Quando a vida nos despoja daquilo que julgávamos imprescindíveis e nos encontramos nus diante da realidade, o essencial que é sempre invisível aos olhos, ganha a sua verdadeira importância.”

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Mario Escobar, Licenciado em História e Diplomado em Estudos Avançados em História Moderna, escreveu inúmeros artigos e livros sobre a Inquisição, a Reforma Protestante e as seitas religiosas. É colaborador habitual da National Geographic História e História 16. Trabalha como director executivo de uma ONG e é director da revista Nueva Historia para el Debate. Interessado nos mistérios ocultos por detrás da história, da religião e da ciência, tem dedicado toda a sua vida a desvendá-los.

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publicado às 01:32

Sinopse:

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 A minha opinião:

Relato de um homossexual que sobreviveu às mãos dos nazis. Tal como tenho referido não foram só os judeus que sofreram na pele o racismo.

Rudolf Brazda abre as portas da sua vida, para relatar o seu passado, como foi preso (duas vezes antes de ser deportado), humilhado e enviado para o campo de concentração de Buchenwald a 8 de Agosto de 1942.

Por mais despercebido que passassem, as denúncias e o “faro” das SS quase não deram descanso a Rudolf, tiveram um parágrafo (nº 175) exclusivamente para designar as suas práticas, consideradas pecaminosas.

 

Os homossexuais ainda tiveram uma altura que respiraram de alívio, quando os nazis chegam ao poder em 1933, o SA Ernest Rohm (homossexual assumido), deu-lhes alguma esperança de ficarem de fora do olhar de Hitler, mas depois tudo mudou a seguir á Noite das Facas Longas a 30 de Junho 1934.

Mas voltariam a ser humilhados quando a 18 de Fevereiro de 1937 o SS Himmler declara que: “...se continuarmos assim, o nosso povo corre o risco de ser aniquilado por essa praga, os homossexuais são considerados indivíduos não reprodutores e assim não podem assegurar a perenidade da raça", também a masturbação entre os homossexuais era considerada perniciosa pelo regime nazi. Com este discurso de Himmler, os homossexuais deixam de responder por crimes morais e inicia-se uma autêntica caça aos homossexuais, tal como a outras minorias e aos judeus.

 

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A inevitável deportação de Rudolf deu-se a 8 de Agosto de 1942, o campo de concentração de Buchenwald, fica no topo de uma colina de Ettersberg, o campo não era visível por quem olhasse de baixo, o nome significa “floresta de Faia”, tudo para dissimular a brutalidade do local, para se chegar ao campo só havia uma estrada através da densa floresta. Ao redor do campo havia pequenas casas para acolher os SS e as suas famílias, e até um zoo particular, todas estas instalações se espalhavam por 200 hectares.

 

“”Prenda o fôlego!”, diz o SS, antes de afundar a cabeça de Rudolf no líquido e mantê-la submersa. Rudolf se debate e engole o desinfectante. Quando, enfim, o SS deixa de fazer pressão, Rudolf consegue sair penosamente da cuba. Ele fica com uma náusea extrema e vomita, sob as risadas dos senhores do lugar que assistem à cena.

Começa o lento processo de desumanização.”

 

Os presos homossexuais não ficavam todos juntos nos mesmos barracões eram dispersos por todo o campo, acima do seu número e à altura do coração, todos os presos tinham de colocar um pequeno triângulo invertido feito de tecido colorido, o vermelho para presos políticos, o preto para os “antissociais”, o verde para os “criminosos profissionais”, para Rudolf a sua estrela era a rosa, para estigmatizar a homossexualidade.

 

Também os homossexuais eram uns dos alvos preferido para as frequentes experiências feitas por médicos nazistas nos campos de concentração, no final de 1944, o clínico geral Carl Vaerner acreditava ser possível fazer a “inversão da polaridade sexual” em homossexuais. Na virilha de alguns, foram implantadas glândulas artificiais. Os triângulos rosas eram as cobaias preferidas para estes testes.

 

Apesar de todos estes dissabores na sua vida, é gratificante ler quando Rodolf aos 98 anos diz que, “Se Deus existe, ele foi particularmente bom comigo, porque tive uma vida feliz e plena. E, se eu tivesse de refazer tudo, não mudaria nada, nem mesmo a minha passagem por Buchenwald!”

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Rudolf Brazda, nasceu a 26 de Junho de 1913 e morreu a 3 de Agosto de 2011, era o último sobrevivente conhecido da deportação por motivos de homossexualidade. Fazendo seguimento às duas condenações por infracção ao parágrafo 175 do antigo código penal alemão, foi preso quase três anos no campo de concentração de Buchenwald. Imediatamente após a sua libertação, instalou-se em França onde vivia desde maio de 1945.

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publicado às 23:38

Não gosto e sinceramente não percebo patavina de política, mas (bem ou mal) tenho sempre cumprido com o meu papel de votante e com as minhas obrigações de cidadã, por isso acho que tenho direito a proferir algumas palavras acerca desta tão contestada eleição… Posso não entender os meandros da política, mas não sou parva, nem burra, sei e percebo que este senhor é uma autêntica bomba relógio, para o seu povo e para o mundo...

 

Um homem de negócios, que só prosperou às custas de trabalhadores de outros países, muita trafulhice e somente para proveito e benefício próprio. Sem grandes mostras de sensibilidade, a proferir palavras e frases que instigam a sentimentos que já deveriam ter sido abolidos, mas que são cada dia mais postas em causa. Nos anos 30, também alguém desejou uma terra fértil, onde só havia lugar para “puros”, uma terra unida sobre ela própria acima de qualquer outra nação.

 

Destaco algumas frases proferidas no seu discurso de presidente, um discurso em que por momentos, pensei se ele já era o presidente dos EUA, ou se ainda estava em campanha eleitoral.

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“Vamos trazer de volta os nossos empregos, as nossas fronteiras, a nossa riqueza e os nossos sonhos”

Vou querer “ver” os americanos fazerem o trabalho “sujo” e mal remunerado realizado actualmente por aqueles que o presidente quer suprimir. Será que só os americanos têm direito a sonhar? Os outros povos e raças têm de ser despromovidos de sonhos e sentimentos? Quantos povos deixaram e deixam as suas terras em busca de uma vida melhor, de tornar realidade os seus sonhos.

 

“Gastámos triliões e triliões fora do país, tornámos ricos os outros países. Mas a riqueza da nossa classe média foi devastada”

Classe média? Claro, os pobres e necessitados que se f….., o que importa é continuar a cavar o fosso desigual entre ricos e pobres. Quem tornou rico os outros países foram os americanos que se calhar não têm poder de compra para ir comprar umas sapatilhas All Star Converse, um telemóvel ou PC Apple, até fumar um Pall Mall já não é para todas as bolsas. Como reagiriam os americanos se deixasse-mos de importar os seus produtos?...

 

“A partir de hoje, será sempre a América primeiro. A América primeiro.”

Discurso egoísta, mas não muda nada sobre a maneira de como sempre se regeu pessoalmente e nos negócios. Só conta com o seu bem-estar, os outros que se lixem.

 

“Vamos ser protegidos por Deus”

Como a própria história nos indicou e indica, Deus nunca conseguiu ser mais forte do que as acções proferidas pelos homens. E lamento desiludir, também não será agora que isso vai mudar.

 

“Teremos apenas duas regras: comprar americano e contratar americanos”

Por exemplo Cuba (mais haveria para exemplificar), também (sobre)vive neste contexto, um afastamento das metrópoles comerciais levam a que sejam um país isolado, inibindo assim um crescimento que se revelaria grandioso. E como é que outros países conseguem desenvolver a sua economia?

 

“É tempo de nos lembrarmos que seja qual for a nossa cor, temos o mesmo sangue vermelho de patriotas”

É engraçado, além do ex-presidente e a sua esposa, não vi grandes misturas raciais na sua tomada de posse. E se todos têm sangue vermelho, porquê colocar barreiras entre as pessoas em vez de se fazerem pontes.

 

“Vamos fazer a América rica, orgulhosa, segura e grande de novo”

Uma das últimas pessoas que proferiu várias frases populistas, tais como; ”Não queremos que esta nação seja fraca” ou “Queremos ser uma nação unida”, dizimou milhões de pessoas para fazer prevalecer as suas ideologias e tornar-se dona de uma só nação, onde só a sua raça tinha direito a prosperar.

 

Também acho, que se só focarmos nos nossos ideais abrimos fendas por onde os inimigos a qualquer momento podem entrar.

 

Para finalizar, enquanto estou a fazer este post, estou a ouvir alguém (não sei o nome) na TVI24, que diz que como Português não se sente ameaçado, mas se fosse cidadão do Balcãs ou agrupado ao largo da Russa, ficaria seriamente preocupado. Pufff.... O tão famoso discurso de quem só pensa em si, a minha preocupação está de olhos postos em todos os povos que irão ser visados com algumas medidas e mais aquelas que ainda não sabemos ao certo, não consigo ficar 100% bem com a minha consciência quando existem minorias desprotegidas a sofrerem pelos actos inconsequentes de quem tem o poder nas mãos. Relembro que Portugal, se tem mantido há margem das várias guerras que existiram ou existem, mas durante algumas, também nós Portugueses sofremos as suas consequências...

 

E vocês, estão tranquilos? Acham que todo o dramatismo à volta do 45º presidente dos EUA é mais fogo de vista, ou para ser levado muito a sério?

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publicado às 22:18

"A Mala de Hana" de Karen Levine - Opinão

por Tânia Tanocas, em 19.01.17

Sinopse

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A minha opinião:

Este curto livro é bastante interessante, na medida de que o seu conteúdo nada mais é do que aquilo que neste mês tenho estado a fazer com um desafio #hol72. 

Isto é, não deixar cair no esquecimento todas as atrocidades praticadas pelo regime nazi, ouvir e ler atentamente o que cada sobrevivente se dignou a relatar.

 

Como devem saber o Japão foi um dos aliados de Hitler.

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Fumiko Ishioka é directora do centro Educacional do Holocausto de Tóquio, centro criado por um doador anónimo japonês que visa dar conhecimento ás novas gerações do que se passou durante o regime nazi.

Diante do interesse dos jovens do grupo "Pequenas Asas" decide dar mais credibilidade aos factos relatados, pedindo às várias fundações do holocausto artefactos que posso comprovar as atrocidades que explicou.

 

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Então Fumiko a pedido das várias crianças do grupo, vai entrar numa terrível viagem ao passado para resgatar alguma informação acerca da dona da mala. Será que vai ser bem sucedida?  E mais não digo...

 


O livro lê-se bem, contém o suficiente e contado de maneira para que uma criança ou jovem conheça a história destes milhões de pessoas mortas às mãos do regime nazi. A mala de Hana é a chave para o sucesso de sua missão. Dentro dela há uma história de tristeza profunda e alegria intensa, uma lembrança da brutalidade do passado e da esperança do futuro.

 

Gostei particularmente da determinação de Fumiko em conseguir realizar um trabalho cada vez mais difícil, pois há medida que o tempo passa vai caindo no esquecimento...  Por isso acredito que cabe a nós adultos, passar a palavra às nossas crianças para que elas tenham a noção do que foi o Holocausto...


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publicado às 22:23

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