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Opinião:

Arnaldur Indridason, já não é uma estreia para mim, li "A Voz", mas não fiquei muito gulosa, achei fraquinho no meio de tanto potencial, mas desejava dar ao autor uma segunda oportunidade e apesar do autor ter outro livro "O Mistério do Lago", este foi o escolhido para a derradeira segunda oportunidade.

 

Confesso que depois de várias leituras medianas, estava sedenta de uma leitura que me preenchesse e sem estar nada à espera eis que surge esta misteriosa estória que nos agarra quase sem darmos conta.

 

Mais uma vez o inspector Elendur é o nosso protagonista, depois de ter sido encontrado um osso humano vamos ter várias linhas de investigação, até porque o crime terá sido realizado à vários anos, tornando quase impossível de desvendar.

 

Em simultâneo com a investigação, Elendur vai travar uma dura prova na sua vida particular, a filha Eva vai lutar pela vida. Enquanto a investigação se revela um caso de violência doméstica e corrupção, Elendur vai também recapitulando a sua vida, até ao ponto de ruptura a que ela chegou.

 

Gostei muito deste livro, não só em relação ao tema, mas a maneira como ele é desenvolvido, houve momentos que pensamos que a conclusão está para breve, mas o autor consegue colocar o suspense até às últimas páginas. 

 

Não tenho mais livros do autor, mas fiquei bastante entusiasmada em ler mais. Não sei se os outros livros será uma continuação da relação familiar do protagonista, mas gostava muito de saber como é a continuação da sua vida pessoal.

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Arnaldur Indridason (Reiquejavique, 1961) é historiador, jornalista e crítico literário e de cinema. Durante vinte anos trabalhou para o Morgunbladid, o mais importante diário da Islândia, antes de se dedicar à escrita a tempo inteiro. Com traduções disponíveis em mais de quarenta línguas, os seus romances rapidamente se tornaram bestsellers. A sua vasta obra tem recebido inúmeros prémios, entre os quais se destacam o The Glass Key (2002 e 2003), atribuído pela Associação Escandinava do Romance Policial, e o CWA Gold Dagger.

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publicado às 17:30

"O Jardim dos Segredos" de Kate Morton - Opinião

por Tânia Tanocas, em 30.10.17

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Opinião:

Tinha três livros na estante desta autora (O Segredo da Casa de Riverton, As Horas Distantes e O Jardim dos Segredos) nunca tinha lido nada da Kate e volta e meia ouvia boas opiniões acerca dos seus livros, li algumas opiniões e este foi o livro (que estava à minha disposição) que reuniu mais interesse.

 

Tenho de dar a mão à palmatória, de facto a autora consegue não só criar uma estória interessante, como prende a nossa atenção até não haver mais páginas para ler.
Gosto bastante dos enredos que nos transportam do presente ao passado e vice versa,  quando incluem estórias (segredos) de famílias é a cereja em cima do bolo.

 

Só tive pena que a verdade tivesse sido descoberta já tarde para alguns personagens. Houve também em determinados momentos que achei que a autora não desenvolvia, ou talvez fosse a minha ânsia de saber como tudo terminava.

 

Confesso que no fim pensei, se este era dos melhores livros da autora, como é que vou encarar os outros? Tenho de me lembrar (quando os ler) de não levar as espectativas muito elevadas.

 

Sem sombra de dúvidas uma autora que me surpreendeu, que me entusiasmou ao ponto de abrir o livro a cada instante livre, confesso que inicialmente as suas...., páginas me intimidaram, mas depois já só queria mais uma poucas para não me deparar com a palavra "fim"...

 

"Tens de aprender a destrinçar entre histórias e a realidade... Os contos de fadas costumam terminar demasiado cedo. Nunca mostram o que se passa depois, quando o príncipe e a princesa cavalgam para fora da página."

 

"...ninguém gosta verdadeiramente de manter segredos. A única coisa que torna um segredo divertido é saber que não se devia ter contado."

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Kate Morton cresceu nas montanhas do Sudoeste de Queenland, na Austrália. Licenciou-se em Teatro e, mais recentemente, em Literatura Inglesa. Kate vive com o marido e os dois filhos em Brisbane, num palacete do século XIX repleto de mistérios. Os seus livros estão publicados em 31 países.

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publicado às 21:35

"Mr. Clarinet" de Nick Stone - Opinião

por Tânia Tanocas, em 20.09.17

Oitava leitura do desafio #bookbingoleiturasaosol
Categoria: "Passado num continente diferente"

Leitura também inserida no desafio #septemberthrills

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Opinião:

Este é um dos livros, que quem ler a sinopse jamais vai imaginar o conteúdo avassalador que o espera.
Aconteceu comigo, pensei que seria uma investigação de rapto, que com toda a certeza teria alguma peripécias e perigos pelo meio, mas o que fui lendo revelou-se uma ficção inserida na dura realidade da vida dos haitianos.

 

Haiti, um país inserido na América Central, referente ao continente americano, um país que estamos habituados a ver como paradisíaco, com paisagens únicas, mas a realidade diária deste povo é bem diferente e por incrível que pareça este livro aborda de forma exemplar a sua (sobre)vivência desumana, a economia deste povo é a mais pobre do continente americano.

 

Conhecemos Max Mingus que vai ser aliciado a partir para o Haiti em busca de um menino, alegadamente, raptado, apesar do falhanço e destino dos seus antecessores, Max aceita a missão, mas vai enveredar por caminhos altamente minados. Na cultura do povo haitiano ainda persiste o culto da magia negra, o chamado vudu, rituais, os feiticeiros "ajudam" aqueles que não encontram mais nenhuma esperança do que submeter-se a este tipo de lavagens cerebrais. Inclusive, Mr. Clarinet retrata uma peculiar superstição, acerca de um mostro que hipnotiza crianças quando toca clarinete, acabando por as raptar.

 

Para ser bem sucedido Max, vai ter de lidar com o fanatismo deste culto e o que descobre vai deixar qualquer um de boca aberta, com consequências nunca antes imaginadas.
Cheguei ao fim deste livro com o terrível pensamento: até que ponto a realidade mistura-se com a ficção, ou vice versa?! Tive de fazer algumas pesquisas extras, pois alguns factos abordados eram demasiados fantasiosos (a meu ver) para serem verosímeis, mas infelizmente correspondem à realidade.

 

Também ficamos com uma noção de como é que aquele país foi liderado pelos vários governantes e acima de tudo como é que chegou ao ponto de ruptura, quer seja política e social. Compreende-se perfeitamente o porquê de haver tantas pessoas a querer uma oportunidade noutro local, que não a sua terra natal.

 

O autor escreve de uma forma, em que a descrição da miséria é tão realista que por momentos, senti o cheiro da podridão, mas acima de tudo a indignidade que se apoderou de mim foi o suficiente para (diversas vezes) ter uma bola na garganta e pousar o livro. Esta leitura tem uma das cenas mais fortes que eu alguma vez li, uma descrição de uma tortura extremamente diabólica.

 

Apesar de tudo, foi um livro que conseguiu deixar-me constantemente empolgada na sua estória, querendo chegar ao fim o mais rápido possível.
Chocou-me o seu conteúdo, conhecer o Haiti desta forma deixou-me triste, bastante triste...

 

Nick Stone, deixou em aberto o rumo de Max Mingus, rumo esse que eu adorava acompanhar, mas infelizmente não existe mais nenhum livro do autor em Portugal, de salientar que este livro faz parte da já extinta editora "Difel", colecção Nocturnos, uma colecção que eu adoro.
Tenho pena de só agora ter conhecido o Max, principalmente, das várias vezes que hesitei ao pegar nele, mas acho que ainda fui bem a tempo...

 

"A tradição oral consegue manter coisas vivas com mais facilidade do que os livros. O papel arde."

 

"As mulheres fazem o trabalho todo neste país excepto mandar. Se mandassem, o Haiti não estaria na merda em que está."

 

"Os mentirosos tropeçavam em inconsciência e impossibilidades, por vezes nos pormenores mais insignificantes, nas pontas soltas que, quando puxadas, destruíam toda a tapeçaria."  

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Nick Stone nasceu em Cambridge a 31 de Outubro de 1966, filho de pai escocês e mãe haitiana, fez formação na Universidade de Cambridge.

Mr. Clarinet foi o seu primeiro livro no mundo da escrita, acabou por ser o vencedor do Ian Fleming Steel Dagger, para o melhor thriller de 2006.

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publicado às 22:20

Sétima leitura do #bookbingoleiturasaosol

Categoria: "Recomendado"

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Opinião:

A primeira vez que tive conhecimento deste livro foi no canal da "a mulher que ama livros", em que ela recomendava a sua leitura, depois surgiram outras opiniões favoráveis e este ano na feira do livro de Lisboa trouxe-o comigo.

 

O livro é curto, tem "apenas" 106 páginas, mas o seu conteúdo revelou-se muito complicado de "ingerir" de uma assentada só, por isso é que levei mais de um mês para o concluir.

 

A estrutura do livro é bastante interessante, inicia com uma excelente introdução da autora, que nos vai elucidar como e porque surgiu este tema, a autora frisa que este livro não é contra os agressores e muito menos contra os homens, já que ambos os sexos são vítimas de violência.

Apesar de o sexo feminino ser o mais afectado, acho que faltou a inclusão de um testemunho masculino para que esta imparcialidade não se notasse.

 

Vão surgir três partes centrais:
Parte I
Um relato de uma adolescente, hoje com 39 anos, que assistiu ao assassinato da sua mãe às mãos do pai. O incidente deu-se na década de 90, altura em que pouco ou nada se fazia e conhecia acerca deste tipo de violência e que deixou marcas para sempre nesta filha.

 

Parte II
Nove mulheres, acolhidas em casas de abrigo (excepto uma) vão relatar as suas vivências e consequências da violência às mãos de quem lhes devia proteger e não aterrorizar. Estes relatos são intercalados com comentários de vários especialistas nesta área e com conhecimento da causa.

 

Parte III
A autora reescreve um dos contos dos irmãos Grimm, "A Menina Sem Mãos", uma metáfora da condição agredida das mulheres, mas acima de tudo a possibilidade das mulheres, corajosamente, aceitar as feridas emocionais e conseguir seguir em frente.

 

Por fim são apresentado os números, costumo dizer que o ser humano está constantemente refém de números, para tudo é nos aplicado um número, por isso é muito importante ler atentamente estes números da violência doméstica (dados de 2015), as várias estruturas de apoio para casos de violência doméstica e uma vasta bibliografia para aprofundar mais este tema, que infelizmente ainda sacrifica muitas vítimas. 

 

Este livro fez-me recuar a um passado que (quase) nunca quero recordar, mas são situações que fazem parte da minha vida e isso não posso alterar.
Era uma criança e depois uma adolescente, quando tive de assistir calada e impotente aos meus próprios "telhados de vidro", não, ninguém fez nada, não, ninguém pediu ajuda, não, tudo era ocultado...
E o que é que isto originou? Originou uma mulher em que a primeira vez que foi vítima de violência achou normal, porque era o que via acontecer dentro da sua família, felizmente, na altura já havia alguma informação, o meu amor próprio e força de vontade fizeram o resto... Tudo o que assisti e vivi fez de mim uma pessoa insegura e com vários bloqueios na minha personalidade... Mas não vivo só com o trauma da minha própria violência, apesar desse incidente consegui libertar-me (pouco a pouco) e construir uma vida feliz, vivo sim e não consigo seguir em frente, com a revolta de alguém que amo ter passado pelo que passou e ninguém ter colocado um ponto final...

Diz-se que "colhemos o que semeamos" e eu concordo plenamente... 

 

«As crianças vítimas de violência doméstica vão ser adultas repletas de medos. Sejam do tipo impulsivo ou introvertido, vão ter muitos medos. Reagem demasiado aos estímulos, sobretudo negativos, ou ao que as pessoas lhe dizem. Pensam;" Aquela pessoa não gosta de mim, nunca ninguém vai gostar de mim". A ansiedade vai estar sempre presente. É a falta do lugar seguro.»

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Carla Maria Almeida, nasceu em Matosinhos, em 1969, é jornalista freelancer, escritora, formadora e tradutora na área do livro infantil. Actualmente é responsável pelas páginas de divulgação e crítica de livros para crianças na revista LER. Licenciada e pós-graduada em Comunicação Social pela Universidade Nova de Lisboa, tem uma pós-graduação em Livro Infantil pela Universidade Católica Portuguesa. Os direitos dos seus livros já foram vendidos para: Alemanha, América Latina, Itália, Brasil, Holanda, Sérvia.

 

 

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publicado às 20:07

"Noite" de Elie Wiesel - Opinião

por Tânia Tanocas, em 08.09.17

Quinta leitura do #bookbingoleiturasaosol

Categoria: "Género Favorito"

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Opinião:

Desde que li a sinopse deste livro, desejei instantaneamente compra-lo e ler, assim aconteceu, chegou o mês passado e foi (quase) devorado.
A parte mais difícil foi encaixar esta leitura numa das categorias do projecto #bookbingoleiturasaosol, a minha primeira ideia era completar a categoria do prémio literário, depois percebi que o prémio que Elie Wiesel tinha ganho era o Nobel da Paz, não sendo um prémio literário, tive de optar por outra categoria.
Não é novidade que "adoro" e tenho um certo "fascínio" e apreço por livros que abordem este tema, sendo assim achei bastante pertinente integrar esta leitura na categoria "Género Favorito".

 

"Nunca irei eu esquecer aquela noite, a primeira noite no campo, que transformou a minha vida numa longe noite sete vezes selada.

Nunca irei eu esquecer aquele fumo.
Nunca irei eu esquecer as pequenas faces das crianças cujos corpos eu vi serem transformados em fumo sob um céu silencioso.
Nunca irei eu esquecer aqueles chamas que consumiram a minha fé para sempre.
Nunca irei eu esquecer o silêncio nocturno que me privou toda a vida da vontade de viver.
Nunca irei eu esquecer esses momentos que assassinaram o meu Deus e a minha alma e transformaram os meus sonhos em cinzas.
Nunca irei eu esquecer essas coisas, mesmo sendo eu condenado a viver tanto tempo quanto o próprio Deus.
Nunca."

 

Não sei explicar, porque é que leio tantas histórias acerca deste tema, deveria ficar enfadada por ser mais do mesmo, mas para mim nunca é mais do mesmo, cada experiência é única, cada texto acrescenta sempre novos conteúdos, só o contexto é que é igual.

 

Noite é um livro com umas míseras 133 páginas, mas o suficiente para nos dar a conhecer o relato (bem escuro) da deportação do autor e da sua família, uma família judia que vive na Roménia, que não vai escapar ao destino de muitas outras famílias, primeiro são enclausurado num dos dois guetos de Sighet - Transilvânia ("Não eram os alemães nem os judeus que reinava no gueto - era a ilusão"), de seguida enviados para Birkenau - Auschwitz ("Aqui existia um campo de trabalho. Com boas condições. As famílias não seriam separadas. Somente os homens iriam trabalhar na fábricas. Os velhos e os doentes tratariam da terra. O barómetro da confiança deu um salto. Era a súbita libertação de todos os terrores das noites anteriores. Demos graças a Deus") e por fim vão efectuar a tão mortal caminhada da morte ("Um vento glacial soprava com violência. Mas nós marcháva-mos sem vacilar. Os SS obrigaram-nos a apressar o passo. «Mais depressa, canalha, cães sarnentos!» Porque não? O movimento aquecia-nos um pouco. O sangue corria mais facilmente nas veias. Tínhamos a sensação de voltarmos à vida...")

 

O que é que torna este pequeno livro num grande livro? Os momentos de reflexão que o autor faz acerca da religião, do bem e do mal que é tentar sobreviver num campo de concentração com os vários desafios que vão surgindo, o facto de ter de se preocupar não só consigo, mas com outros elementos da família, descrever as atrocidades que a sua visão assistiu.

 

Pode o ser humano ser tão "mesquinho" ao ponto de perder a benevolência para com os outros? Pode, mas é um acto que instintivamente jamais se apagará e marcará a mente e o espírito de quem passou por todo este caos, sofrimento e sobrevivência...

 

"Um dia em que estávamos parados, um operário tirou da sua sacola um bocado de pão e atirou-o para o vagão. Foi uma correria. Dezenas de homens esfomeados lutaram desesperadamente por causa de algumas migalhas. Os operários interessaram-se profundamente por este espectáculo.

Anos depois, assisti a um espectáculo semelhante em Adém. Os passageiros do nosso navio divertia-se a lançar moedas aos «nativos», que mergulhavam para as apanhar. Uma parisiense de porte aristocrático divertia-se muito com este jogo. De súbito, avistei duas crianças que se agrediam brutalmente, uma tentando estrangular a outra, e implorei à senhora:
- Peço-lhe que não atire mais moedas!
- Porque não? - perguntou ela. - Gosto de praticar a caridade..."

 

Para quem gosta do tema, este livro, certamente não vai desiludir.
"Este livro relata essas circunstâncias, e deixo aos leitores - que deveriam ser tão numerosos quanto os de" O Diário de Anne Frank" - descobrirem por si o milagre pelo qual aquela criança conseguiu escapar da morte." 

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Elias "Elie" Wiesel, (Sighetu Marmaţiei, 30 de Setembro de 1928 – Manhattan, 2 de Julho de 2016) foi um escritor judeu, sobrevivente dos campos de concentração nazistas, que recebeu o Nobel da Paz de 1986, pelo conjunto de sua obra de 57 livros, dedicada a resgatar a memória do holocausto e a defender outros grupos vítimas das perseguições. O pai de Elie era romeno e mãe proveniente da Hungria.

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publicado às 22:12

Terceira leitura do #bookbingoleiturasaosol
Categoria: "Autor Lusófono"

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Opinião:

Confesso, sou chorona por natureza, mas este pequeno livrinho deu cabo do meu stock de lágrimas, acho que nunca tive uma leitura tão chorosa quanto esta, em determinados momentos, queria ler e não conseguia, de tão turvados que estavam os meus olhos...

 

A primeira edição deste livro foi em 1968 (quase a completar meio século de vida), nessa altura (e até mesmo agora), ser criança nem sempre era (é) fácil, mas ser criança numa família numerosa e extremamente pobre pior ainda...

 

É isso que vamos aprender com o Zezé, um menino de cinco anos, o pai está desempregado, só a mãe trabalha num fábrica para sustentar a família, por vezes toma conta do irmão mais novo (Luís) tornando-se o seu protector para que este não sinta a mesma falta de carinho, traquinas como todos os meninos da sua idade, mas totalmente incompreendido, tornando-se o alvo perfeito das descargas emocionais dos mais velhos, sendo até considerado um diabo, termina (quase) sempre como se de um saco de pancada se tratasse, um dia conta o seu segredo, inexplicávelmente aprendeu a ler, em vez de ser apoiado, vai ser "despachado" para a escola e continuar a vaguear pelas ruas ao Deus dará.

 

Mas as traquinices estão sempre presentes na sua vida e é assim que as conversar secretas com o seu Pé de laranja Lima (Minguinho), a sua interminável imaginação, a ligação com o Ariovaldo, a adoração da sua professora Cecilia ou a improvável amizade com o Manuel Valadares (o português) vão alterar por completo a sua vida.

 

Zezé, procura constantemente compreensão, carinho e amor dentro da sua casa, mas infelizmente a sua procura só vai ser realizada fora de portas, por meros desconhecidos ao ponto de ele guardar para si o segredo dessas amizades para não correr o risco de elas se desfazerem. Mas nada dura para sempre e Zezé irá sofrer como ninguém imagina uma dor bem maior do que a falta de carinho recebido até aí...

 

Um excelente hino à amizade, à incompreensão, até mesmo à falta de disponibilidade por parte da família em acompanhar o crescimento e necessidades desta criança, quantas crianças por este mundo fora não se chamarão Zezés...

 

"Pensei na fábrica um momento. Não gostava dela. O seu apito triste de manhã tornava-se mais feio às cinco horas. A fábrica era um dragão que todo o dia comia gente e de noite vomitava o pessoal muito cansado."

 

"- Olha Minguinho, não precisa ficar desse jeito. Ele é o meu maior amigo. Mas você é o rei absoluto das árvores, como o Luís é o rei absoluto dos irmãos.
Você precisa saber que o coração da gente tem que ser muito grande e caber tudo que a gente gosta."

 

"- Mas tu também não disseste que me matavas?
- Disse no comêço. Depois matei você ao contrário.
Fiz você morrer nascendo no meu coração.
...
- Adeus?
Sério. Você vê, eu não presto para nada, estou cansado de sofrer pancada e puxões de orelha. Vou deixar de ser uma boca a mais..."

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 José Mauro de Vasconcelos, escritor brasileiro, descendente de portugueses, nascido em 1920, no Rio de Janeiro, e falecido em 1984. Depois de ter tido várias profissões, viajou pelo interior do país, região que inspirou quase toda a sua obra. Um dos seus romances mais famosos, O Meu Pé de Laranja Lima , tornou-se o exemplo vivo da presença do tema da infância na sua escrita.

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publicado às 22:12

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Opinião:
Muito raramente leio um livro que no momento todos falam, mas não sei explicar este conseguiu fazer com que desejasse pegar logo nele e simplesmente o devorei...

O enredo é bastante complexo, assim como o tema em questão "até onde conseguiria ir para matar alguém"?!

O ser humano é cada vez mais complexo e imprevisível, as suas acções (em determinados momentos) deixam de ser racionais e tornam-se monstruosas, tentando construir os crimes perfeitos, mas será que existe o crime perfeito?
É o que vamos descobrir com os protagonistas desta estória, o que leva Lilly Kintner a vingar-se, o que passa na cabeça de Ted Severson para conspirar contra a sua mulher...
Lilly e Ted, duas personagens que se encontram por acaso (ou não) e logo estabelecem uma relação perigosa, será que o desejo de vingança se sobrepõe à razão? E terão eles êxito nos seus planos? Existe, ou não o crime perfeito?

Tenho muita vontade de vos falar mais deste livro, mas tenho a sensação de que por mais que dissesse não iria conseguir transmitir o valor dele... Só sei que o autor conseguiu fazer com que gostasse e sentisse empatia com assassinos (pelo menos neste caso).

O livro deixa-nos em constante sobressalto, tal não é a intensidade do mistério, tipo, escapas ou és apanhada, és apanhada ou escapas? E o final, completamente imprevisível e fora da nossa imaginação, todo o livro é perfeitamente eloquente e até bastante elucidativo para ninguém ceder aos próprios instintos e pensamentos sem pensar nas consequências...

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Peter Swanson é autor de três romances: The Girl with a Clock for a Heart, finalista do LA Times Book Award; Aqueles que Merecem Morrer, vencedor do New England Society Book Award e finalista do CWA Ian Fleming Steel Dagger; e Her Every Fear, o mais recente. 

Peter Swanson frequentou o Trinity College, a Universidade de Massachusetts, em Anherst, e o Emerson College. Vive em Massachusetts com a sua mulher e um gato.

Os seus livros estão traduzidos em 30 línguas.

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publicado às 18:38

"Persépolis" de Marjane Satrapi - Opinião

por Tânia Tanocas, em 01.05.17

Quarta leitura do desafio #livrosnoecra

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Opinião:

Só me apetece dizer bem alto :"Lêem este livro assim que puderem!!!", apetece-me também retomar novamente a leitura.

Há muito que desejava este livro, o mês passado chegou cá a casa e nem chegou a ir para a pilha dos livros para ler, comecei a folhear, a ler algumas cenas e não mais o larguei.

 

Ri, chorei, revoltei-me, tive piedade, uma mistura de sentimentos que quando estava quase a chegar ao fim, já andava a ler duas a três cenas por dia para que ele durasse mais tempo.

Narjane Satrapi é a autora e protagonista desta BD (que agora tem um nome mais pomposo, Graphic Novel), a história (não ficção) desenrola-se em dois momentos, mas eu acho que três momentos teriam sido o mais adequado, por isso vou dar-vos a conhecer esses três momentos.

 

Primeira Parte - A autora vai descrever a infância vivida no Irão em plena revolução islâmica, guerra com o Iraque e algum contexto histórico daquele país.
Segunda Parte - Acompanhamos as dificuldades culturais (e não só) de Narjane quando vai viver para outro país
Terceira Parte - A determinada altura Narjane regressa às suas origens, mas o país já não é igual àquele que deixou antes de partir.

 

Este livro é muito mais do que a "biografia" de Marjane, conta-nos a história de uma civilização (o próprio título é uma referência) que sempre foi fustigada pela cobiça da sua riqueza (petróleo) e que actualmente é conhecido e rotulado de impulsionador de fanatismos, terroristas e fundamentalistas, mas Marjane encaminha-nos por uma história em que o seu objectivo é desmistificar a imagem negativa do seu povo.

 

Não quer isso dizer que a autora defenda os fanáticos religiosos e extremistas, antes pelo contrário, descendente de Persas, não reza a Alá, os seus pais são uns revolucionários que incutiram na filha valores que em nada se revêm no actual modelo de vida iraniano, mas o principal objectivo deste livro é dar-nos a conhecer de que o povo sempre se uniu para poder viver em liberdade e que jamais devem ser esquecidos, tal como aqueles que ainda lutam e nunca deixaram o seu lar.

 

Numa época em que fazem cada vez mais muros, fecham fronteiras, impedem os fustigado de procurar alguma paz e reconforto, também é imprescindível ler este livro para compreender o que passam os refugiados, exilados, quando têm de se adaptar a uma nova cultura, novos costumes, como encaram e quais as consequências da xenofobia e racismo daqueles que gozam de um bom conforto.

 

"Podemos perdoar, mas não devemos nunca esquecer."

 

Trailer da adaptação (2007):

Já estive para ver a adaptação, mas decidi adiar porque queria mesmo ler o livro antes de ver o filme. E não me arrependi, neste caso, acho que vou gostar do filme, mas sem sombras de dúvidas de que esta preciosidade já entrou para os meus favoritos. Além do roteiro, o filme tem a direcção da própria autora. 

 

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Marjane Satrapi nasceu em Rasht, no Irão, em 1969, e actualmente vive em Paris. Estudou no liceu francês de Teerão, onde passou a sua infância. Bisneta de um imperador do país, teve uma educação que combinou a tradição da cultura persa com valores ocidentais e de esquerda.

 

Aos catorze anos, partiu para a Áustria, e depois retornou ao Irão para estudar belas-artes. Estabelecida em França como autora e ilustradora,

 

Marjane conquistou a fama mundial com Persépolis, obra que ganhou alguns dos mais prestigiados prémios deste género literário.

 

As ilustrações de Marjane são publicadas em revistas e jornais de todo o mundo, incluindo The New Yorker e The New York Times.

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publicado às 23:31

"Uma Duas" de Eliane Brum - Opinião

por Tânia Tanocas, em 26.03.17

Quinta leitura para o desafio #marçofeminino

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Opinião:

Por norma escreve-se e lê-se o lado bom entre o relacionamento de pais e filhos, este livro é uma (boa) excepção. Aqui não há metáforas bonitas para escamotear a verdade que se quer contar, não existe clichés de "viveram felizes para sempre", aqui encontramos a realidade tal e qual como ela é, ficando tão paranóicos e agonizados tanto ou mais quanto as personagens desde excelente livro.

 

Quantos de nós vimos idosos largados à sua mercê, quer seja isolados nas suas casas, quer em lares, alguns tão solitários quanto as suas casas. Dos filhos só uma curta visita de tempos a tempos (algum desse tempo alastra-se por anos a fio). Logo vem ao nosso pensamento, como é que um filho faz isto aos seus próprios pais? Pois é, como se costuma dizer "só quem está no convento é que sabe o que vai lá dentro", ninguém quer saber o que sentem os filhos que fazem tais actos, ninguém acredita naquele ditado que eu concordo a 100 %, "filho és, pai serás" e é aqui que entra a mãe (Maria Lúcia) que através do poder das palavras, começa a escrever textos em que relata a sua infância, adolescência e fase adulta, numa forma de tentar dar a entender ao leitor que só é assim devido a algumas vicissitudes da sua própria vida, nunca houve um diálogo sério com a filha, as duas se afastam porque a mãe nunca soube o que era o poder do amor e a sua forma de amar era tão sem sentido que a filha também acabou por nunca se sentir amada.

 

Atenção, não quero com isto dizer que concordo com o abandono dos idosos, também para lá caminho e não sei o que me acontecerá, mas em vez de criticar, talvez seja melhor primeiro compreender algumas acções, quantas delas surgem em contextos pouco esclarecidos que se arrastaram por longos anos, sem que ambos (pais e filhos) manifestam desejo de remediar o assunto, originando assim casos de solidão na parte mais fragilizada...

 

Dou-me bem com os meus pais, mas nos últimos anos o desgaste da minha tolerância em relação ao meu pai anda em níveis que nunca pensei alcançar, situações que ele condenava nos pais está a fazer o mesmo aos filhos. Para tentarem compreender, a minha relação com o meu pai, foi sempre tipo uma relação de imposição, porque era ele que governava a casa, porque morava debaixo do tecto dele, porque só ele é que tinha e tem razão e desde que achou que o álcool é que é o seu melhor amigo tem sido insuportável, resumindo nunca foi uma relação de amor (não duvido que ele goste de mim, mas nunca o demonstrou), mas sim de um negócio em que ele acha que despendeu o seu dinheiro e tempo na minha educação, saúde e que agora sou eu que lhe tenho de valer com algum retorno da maneira que ele quer. E atendendo ao facto de ter sido sempre uma miúda que não deu grandes dores de cabeça, é com alguma consternação que não compreendo as suas atitudes, infelizmente também não sei como controlar as minhas e com muito receio em relação ao futuro, sinto que é uma obrigação e não algo que se faça naturalmente para demonstrar o meu amor por ele.

 

Bem, tudo isto para realçar que percebo perfeitamente o sentimento de Laura para com a sua mãe, sentimento e acções que a autora soube caracterizar muito bem.

 

Este livro foi uma experiência muito enriquecedora, não se deixem enganar pela capa rosa fofinha, pois vão ter uma leitura dura e crua, o livro é pequeno mas tive que o pousar várias vezes. Tenho lido alguns ebooks em PT/BR e este (até agora) tenho mesmo muita pena de não haver em Portugal e vou de certeza imprimir porque quero sentir a sensação de ler estas palavras perpetuada numa folha de papel.

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Eliane Brum é jornalista, escritora e documentalista. Trabalhou 11 anos como repórter do jornal Zero Hora, de Porto Alegre, e 10 como repórter especial da Revista Época, em São Paulo. Desde 2010, actua como freelancer. Actualmente, escreve artigos para os jornais El País (português e espanhol) e The Guardian (inglês).
Publicou seis livros – cinco de não ficção e um romance -, além de participar de colectâneas de cronicas, contos e ensaios.

 

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publicado às 23:34

"Sonderkommando" de Shlomo Venezia - Opinião

por Tânia Tanocas, em 02.02.17

Sinopse

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A minha opinião:

Não foi esquecimento o facto de só agora estar a escrever a minha opinião acerca da primeira leitura do ano de 2017 para o projecto #hol72, foi completamente intencional, pois para mim este foi o pior relato acerca do Holocausto que eu alguma vez li até hoje.

 

No final do ano passado vi “O Filho de Saul”, um filme Húngaro de László Nemes, este filme chamou a minha4 (3).jpg atenção porque, inconscientemente, nunca tinha pensado naqueles presos que tinham de lidar com o “trabalho sujo” dos alemães. Confesso que o filme mexeu bastante comigo e logo comecei uma pesquisa mais pormenorizada em saber quem foram estas pessoas, como eram obrigadas a lidar com a morte e o sofrimento em “primeira mão” e como se organizavam. E foi assim que me deparei com este livro, o relato de Shlomo Venezia, um homem que trabalhou nas câmaras de gás de Auschwitz, agrupado no Sonderkommando.

 

Este livro é o registo de uma sucessão de entrevistas realizadas por Béatrice Prasquier, jornalista francesa, que entre 3 de Abril e 21 de maio de 2006 fez a Shlomo Venezia. Por isso a forma como está elaborado é em jeito de pergunta / resposta. Tendo ainda duas notas históricas bastante interessantes que nos situa em termos intemporais, uma por parte de Marcello Pezzetti, que se intitula de “A Shoah, Ausschwitz e o Sonderkommando” e outra por Umberto Gentiloni que nos explica “A Itália na Grécia: Pequena história de um grande fracasso”, ambas as notas são imprescindíveis para compreendermos o percurso de vida de Shlomo Venezia.

 

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Sonderkommando é a denominação dada a um grupo de pessoas que actuavam nos campos de concentração sob o comando dos nazis. Eram recrutados entre os prisioneiros recém chegados, mais robustos e tinham como função a execução das tarefas mais críticas, tais como enterrar os corpos dos prisioneiros mortos, limpeza das câmaras de gás e outros serviços aos quais os alemães não ousavam executar. Devido à condição de grupo especial, tinham alguns privilégios, tais como, uma alimentação um pouco melhor, melhores condições no alojamento, regalias essas que aos olhos dos outros prisioneiros eram vistas como se o Sonderkommando fossem uma ramificação dos nazis, isto é, para muitos o Sonderkommando era vistos de igual crueldade como os actos praticados pelos alemães.

 

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Entretanto, não duravam muito nesta função, integravam de tempos em tempos, as listas de pessoas a serem exterminadas após algum tempo de serviço, sendo substituídas por novos componentes que mais adiante eram mortos e substituídos por novos membros, e assim sucessivamente. Tudo para manter em segredo as operações de extermínio do conhecimento dos outros prisioneiros do campo de concentração, eram também mantidos isolados.

É angustiante ler o que Shlomo Venezia nos vai relatando, muitas das vezes não consegui avançar na leitura, fiquei chocada com a “visualização gráfica” de algumas cenas relatadas.

 

“ Foi apenas alguns dias após a nossa chegada. Um Kapo procurou-nos e disse que, se quiséssemos fazer um trabalho suplementar, nos era dado uma dupla ração de sopa. Todos quisemos ir, pois a fome era maior do que tudo. Fui incluído nas dez pessoas escolhidas para executar o trabalho.(…) 6c0b4d5bfc1fd4eb55234a9e05bac9aa.gifO Kapo fez-nos pegar numa carroça, como as usadas para transportar feno. Só que para puxar a carroça éramos nos que estávamos no lugar dos cavalos. Fomos ate um barracão na ponto do sector de quarentena. Tinha o nome de Leichenkeller: quarto dos cadáveres. Ao abrirmos a porta, um cheiro atroz nos apertou a garganta, era o fedor de cadáveres em decomposição. (…) Os cadáveres eram deixados naquele lugar até serem levados ao Crematório para serem incinerados. Os cadáveres podiam ficar ali, apodrecendo, durante 15 ou 20 dias. Os que estavam mais por baixo encontravam-se a num estado de decomposição avançado, por causa do calor.

Se soubesse que o trabalho “suplementar” consistia em tirar aqueles cadáveres para levá-los até ao Crematório, teria preferido morrer de fome, em vez de fazer isto.”

 

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Quando Shlomo Venezia nos relata que teria preferido morrer de fome a ter trabalhado no Sonderkommando, já deve dar para perceber o quanto vai ser duro ler o seu relato. Neste livro ele vai aprofundar como era a chegada dos prisioneiros ao campo, quais as patifarias utilizadas pelos soldados nazis para diminuir as reacções diante da morte de quem se aproximava nas câmaras de gás, como eram as selecções de quem viveria (por mais algum tempo) ou morreria imediatamente, o terror, medo, a rotina dos crematórios e o facto de que os próprios integrantes do Sonderkommando, de tempos em tempos, também seriam eliminados.

 

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Durante a sua narração, deparamos com o nome de outro Sonderkommando.

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David Olère foi um pintor e escultor judeu, nascido na Polónia em 1902. Foi prisioneiro dos Alemães, no campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, de 1943 a 1945. Tornou-se o prisioneiro n.º 106 144 e concedido ao serviços do Sonderkommando em Birkenau, primeiro no Bunker 2 e mais tarde no Crematório III.

Libertado pelas tropas norte-americanas em princípios de Maio de 1945, empenhar-se-ia depois em testemunhar, através de desenhos e pinturas, a pavorosa experiência que tinha vivido no Sonderkommando. Faleceu em França em 1985.

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Shlomo Venezia nasceu em Salonica, na Grécia, a 29 de Dezembro de 1923, no seio de uma família judaica. A 11 de Abril de 1944, com 21 anos, Shlomo e alguns elementos da sua família chegaram ao campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, onde integrou o Sonderkommando. O autor dedicou-se, a dar a conhecer ao mundo o que foi o horror do holocausto. Faleceu a 1 de Outubro de 2013 em Roma, Itália.

 

 

Nota: As imagens deste post são desenhos de David Olère, elas ilustram bem o quanto foi traumatizante fazer parte do Sonderkommando e relatam bem o que os olhos deste sobrevivente não conseguiram esquecer. Por estas imagens podem ter uma pequena ideia do que vão encontrar no livro de Shlomo Venezia. 

Um dia, vou fazer um post só com imagens de Davis Olère, acho que espelham bem o sentimento de quem passou pelo Holocausto, só de olhar para elas dà um aperto no coração e na alma...

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